Trabalho num balcão dos CTT na Madeira.
T
Vejo o olhar delas mudar quando digo: “Assim não posso aceitar.”
Não é poder. É sistema.
O sistema foi desenhado para falhar. Para empurrar a responsabilidade para o balcão, para o funcionário, para o cidadão. Nunca para quem decide. Já ouvi pessoas serem acusadas de comprar bilhetes “no continente” em vez de “numa agência da Madeira”, como se isso fosse uma escolha livre e não uma consequência do mercado. Já vi moradores de uma região autónoma tratados como se estivessem a pedir um favor, não a exercer um direito.
E sabem o que é mais perverso?
Nós, do outro lado do balcão, também somos vítimas. Levamos com a frustração, com a raiva, com as lágrimas. Somos o rosto de políticas mal pensadas, mal executadas e pior comunicadas.
Quem desenhou este processo nunca esteve num balcão.
Nunca explicou a um idoso porque é que “falta um papel”.
Nunca disse a uma mãe trabalhadora que tem de voltar outra vez.
Enquanto isso, os responsáveis continuam invisíveis. Intocáveis.
Quem desenhou este processo? A responsabilidade política é clara: o governo da Madeira, liderado pelo Presidente Miguel Albuquerque, e a Secretaria Regional de Equipamentos e Transportes, com Eduardo Jesus à frente, definem estas regras e cortes. É esta escolha política que transforma um direito garantido por lei num labirinto de papéis e viagens repetidas aos CTT.
Não se trata de incompetência do funcionário, nem de “problema individual” do cidadão. É uma política que penaliza quem vive numa ilha, que obriga todos a perder tempo e paciência, e que transfere a culpa para quem apenas cumpre ordens.
Até que essa responsabilidade seja assumida, os balcões continuarão cheios e a confiança da população continuará a desaparecer.
Quem sofre? O cidadão. Quem sofre também? Eu, que apenas aplico regras absurdas.
Desejo-lhe uma ***** ***** e ******** Miguel Albuquerque. Ao Eduardo Jesus desejo-lhe uma ***** ainda pior, com uma enfermeira ao lado sem empatia nenhuma, e que trata mal os doentes. É isso que vos desejo, aos dois. Obrigada Madeira Opina, por me ajudarem a desabafar.
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