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Confissões de um balcão dos CTT, quando a culpa nunca é de ninguém.

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Trabalho num balcão dos CTT na Madeira.

T

odos os dias atendo pessoas cansadas, irritadas, humilhadas. Não porque sejam difíceis, mas porque já vieram três, quatro, cinco vezes pelo mesmo motivo: o subsídio de mobilidade. Chegam com pastas organizadas, recibos, comprovativos, bilhetes. E eu sei, antes mesmo de abrir a pasta, que vai faltar “qualquer coisa”. Hoje é a numeração das páginas. Ontem foi o código de reserva. Amanhã será outro detalhe qualquer, inventado ou reinterpretado.

Vejo o olhar delas mudar quando digo: “Assim não posso aceitar.”

Não é poder. É sistema.

O sistema foi desenhado para falhar. Para empurrar a responsabilidade para o balcão, para o funcionário, para o cidadão. Nunca para quem decide. Já ouvi pessoas serem acusadas de comprar bilhetes “no continente” em vez de “numa agência da Madeira”, como se isso fosse uma escolha livre e não uma consequência do mercado. Já vi moradores de uma região autónoma tratados como se estivessem a pedir um favor, não a exercer um direito.

E sabem o que é mais perverso?

Nós, do outro lado do balcão, também somos vítimas. Levamos com a frustração, com a raiva, com as lágrimas. Somos o rosto de políticas mal pensadas, mal executadas e pior comunicadas.

Quem desenhou este processo nunca esteve num balcão.

Nunca explicou a um idoso porque é que “falta um papel”.

Nunca disse a uma mãe trabalhadora que tem de voltar outra vez.

Enquanto isso, os responsáveis continuam invisíveis. Intocáveis.

Quem desenhou este processo? A responsabilidade política é clara: o governo da Madeira, liderado pelo Presidente Miguel Albuquerque, e a Secretaria Regional de Equipamentos e Transportes, com Eduardo Jesus à frente, definem estas regras e cortes. É esta escolha política que transforma um direito garantido por lei num labirinto de papéis e viagens repetidas aos CTT.

Não se trata de incompetência do funcionário, nem de “problema individual” do cidadão. É uma política que penaliza quem vive numa ilha, que obriga todos a perder tempo e paciência, e que transfere a culpa para quem apenas cumpre ordens.

Até que essa responsabilidade seja assumida, os balcões continuarão cheios e a confiança da população continuará a desaparecer.

Quem sofre? O cidadão. Quem sofre também? Eu, que apenas aplico regras absurdas.

Desejo-lhe uma ***** ***** e ******** Miguel Albuquerque. Ao Eduardo Jesus desejo-lhe uma ***** ainda pior, com uma enfermeira ao lado sem empatia nenhuma, e que trata mal os doentes. É isso que vos desejo, aos dois. Obrigada Madeira Opina, por me ajudarem a desabafar.

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