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Madeira que vendemos nos cartazes de promoção, serena, segura e acolhedora, parece estar a travar uma luta interna contra uma realidade cada vez mais crua e violenta. Nos últimos tempos, as notícias de agressões bárbaras na noite, hostilidade gratuita e tragédias familiares, como o recente ferido grave no Jardim da Serra e há poucas horas no Caniço, deixaram de ser casos isolados para se tornarem um padrão que urge analisar. O que está a falhar no nosso tecido social?
Muita coisa, felizmente existe Madeira Opina para deixar o histórico, é o único lugar na internet que não está a fazer propaganda ou em negação.
Vivemos um momento de ouro no turismo, com hotéis cheios e números recorde. No entanto, este "brilho" não chega a todos. Enquanto a economia macro cresce, muitas famílias madeirenses sentem o sufoco do custo de vida, da habitação incomportável e da perda de identidade dos seus espaços públicos. Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Também existe o problema das drogas, dos conflitos por interesses, e eu adicionava um certo comportamento mais hostil depois da Covid. Sentimo-nos negados e renegados, a segunda escolha dos políticos e da economia de floresceram. Não nos sentimos na nossa terra, fomos abalroados por todos os lados. Este sentimento de exclusão cria uma "panela de pressão" social. Quando o cidadão comum sente que a sua ilha já não lhe pertence, a frustração acumula-se e, infelizmente, acaba por explodir nos contextos de maior desinibição, na família, na noite, pelo o álcool e pelas drogas.
A violência na noite madeirense tornou-se um espetáculo deprimente nas redes sociais e comunicação social, espero que continue a ser o espelho forçado pela necessidade de pageviews, porque os madeirenses aderem a estes "consumos", também socialmente parece ter chegado a lei do mais forte a qualquer nível. Os governantes são maus exemplos. A agressividade física substituiu o diálogo, e o respeito pela integridade do outro parece ter-se esfumado. O álcool, muitas vezes usado como escape para problemas diários, atua como o pavio de uma bomba relógio. Mas não é apenas o álcool; é a sensação de que a hostilidade é uma resposta válida à pressão da vida moderna e ao choque cultural que o turismo de massas, por vezes, impõe sem anestesia.
Ainda mais preocupante é o sangue que corre dentro das famílias. Casos de desavenças por terrenos, heranças ou ciúmes, que terminam em tentativas de homicídio ou ferimentos graves, revelam uma profunda carência de saúde mental e mediação de conflitos. Em muitas zonas da nossa região, o diálogo ainda é visto como uma fraqueza e a violência como uma ferramenta de "honra". Sem um apoio psicológico de proximidade e um combate ao estigma da saúde mental, continuaremos a ler manchetes sobre tragédias que poderiam ter sido evitadas com uma simples conversa mediada.
Maldita negação numa madeira artificial de propaganda. É claro que vai correr mal, quanto mais negarem, mais tempo corre e pior fica.
Também não podemos ignorar a perceção de que a justiça tarda ou falha. Quando a comunidade assiste a episódios de violência gratuita e vê os agressores em liberdade pouco tempo depois, o sentimento de insegurança cresce. A autoridade deve ser restaurada, não apenas com policiamento, mas com uma justiça que dê respostas claras e dissuasoras. Meus amigos, o crescimento do Chega não é um acaso, é fruto da atuação válida da oposição e do modelo económico que tempos na governação em total alheamento sobre o que se passa com os madeirenses.
A Madeira não pode ser apenas um destino paradisíaco para quem nos visita, tem de ser um lugar seguro e equilibrado para quem cá vive. Temos excesso de turistas e outros residentes que "mataram-nos" a identidade e fizeram crescer a revolta, depois ela explode onde menos se espera. O progresso económico de nada vale se perdermos a nossa humanidade e o respeito pelo próximo. É tempo de olhar de frente para estas feridas sociais, investir na saúde mental e repensar o modelo de convivência na nossa ilha, antes que a violência se torne o nosso novo "normal".
Vivemos uma era do "carro preto" que chegou onde queria para tratar da sua vida e de aulas de culinária porque já não há mais nada para fazer.
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