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Epstein Madeira

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I

maginem que, daqui a uns anos, surgem os míticos Epstein Files madeirenses, um arquivo lendário, guardado numa cave secreta entre barris de vinho, com 50 anos de segredos das elites da ilha, sempre sérias e honradas que à primeira suspeita rugem em defesa. Você que me lê acha que elas são mais puras do que a elite mundial que vamos vendo... pelos rumores que muitos ouvem. Está bom para participar na missa de domingo no Colégio, com o carro na praça e a bater a mão no peito, como toda a casta que lá aparece. Pela maneira como estacionam... são santos.

O que poderiam revelar tais ficheiros? Alianças históricas seladas em casamentos, batizados e inaugurações, mapas complexos de favores trocados, swings e canudinhos feitos com notas? Com certeza factos de por qualquer um branco, pelo menos na ponta do nariz. Ninguém sabe! Almoços de políticos e jornalistas, secretários com DDT, mulheres transacionadas de emprego por boa notícias? Viagens públicas que marcam milhas em benefício privado, esticadas pelos confins de semana e mordomias "Bentlianas"? Ninguém sabe, fotos heroicas para jornal publicar, com as famílias, amigas e amantes atrás do fotógrafo? Isto nem é alegadamente, é pura especulação maliciosa, sob forma de perguntas. Todos sabemos que temos políticos e governantes beatificados pela Igreja. Isso basta como chancela para muitos.

Os Epstein madeirenses têm a grande vantagem, numa ilha onde toda a gente se conhece, o maior segredo sempre foi fingir que certos segredos eram, de facto, segredos. Melhor ainda é sentir uma pistola de medo, se abres a boca... , e o grupo todo aponta-te como o mau da fita.

Seria a receita perfeita para um terramoto social, se 50 anos de autonomia num território fechado fossem passados pelo crivo de um "Epstein Files" regional, o arquipélago não teria "papos de aranha", teria uma teia de proporções bíblicas, com a Igreja incluída e a beber o seu vinho para esquecer por tantas bênçãos dadas.

Epstein Madeira faria o Wikileaks parecer uma folha paroquial a pedir a Desobriga.

A mente humana pode ser perversa com tanto anjinho, será que os ficheiros revelariam que certas "reuniões estratégicas" em casas de campo isoladas no Norte não serviam para discutir o Plano de Investimentos, mas sim para decidir quem ficava com que lote, a conta, a responsabilidade em obras e casos inventados?

Será que o Epstein madeirense revelaria como entra tanta droga numa ilha, como alguns enriquecem tanto e dividem a ilha em monopólios? Haveria lista de passageiros de certos iates e jatos privados, veríamos que a "Unidade Regional" era, na verdade, uma unidade de interesses bancários?

Será que um Epstein madeirense teria um triângulo da Macaronésia, onde desaparecem fundos europeus num lado e aparecem vivendas com piscina no outro? Ou mais propriedades no estrangeiro fora dos olhares dos más línguas? Ninguém sabe. Será que descobriríamos que o "espírito analítico" das elites servia apenas para calcular a distância entre o cargo público e a subvenção privada, quando elites, pode ser de poder e oposição, desde que homologadas?

E então essa obras estão sob que constelação? Será que esse Epstein Madeira desvendaria a influência da maçonaria regional, um mito, ou se certas inaugurações de estradas são marcadas apenas quando os astros (e o Grão-Mestre) dão o sinal? Veríamos que muitos "irmãos" só o são até chegar a hora de dividir a comissão da obra pública? E afinal como são essas obras? Ajuste direto a uma que faz de governo para dar às outras? Claro que isto só pode ser invenção, como aquela de que há quem seja na mesma obra o empreiteiro, o fiscal da câmara e da obra, o PRR... o que for preciso, até à comissão de inquérito de um Parlamento rebaixado ao uso menor e vexado pelos tribunais.

Virgem Santíssima, venha já o Bispo apagar qualquer mácula. Deus misericordioso que limpe a língua dos más-línguas, e então aqueles que usam insultos carinhosos na caixinha do poder-empresarial...

Como diz o povo, "quem não deve não teme", boa, porque neste caso é "quem ganha não teme", mas nos Epstein Madeira quem mais temeria seriam os mais inofensivos, aqueles que apanham com as culpas, aqueles que falam mais baixo na rua e medem cada palavra, mas que nos ficheiros aparecem como os arquitetos da intimidação social que torna o ambiente irrespirável...

Se os ficheiros de 50 anos de elite fossem abertos, a Madeira não precisava de eleições no domingo, precisava de um confessionário gigante com capacidade para 250 mil pessoas. Seria o fim do "teatro para ingénuos" e o início da verdade sem anestesia, venha o Bispo com um copo de vinho de sacristia.

Mas para quê ter um Epstein Madeira se tudo poderia sair em suaves prestações na comunicação social? Não fossem eles também pertença da elite...

Pronto, então até já, vou tomar a minha Rivastigmina.

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