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Montengro vai cair como Passos Coelho por insensibilidade social.

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Montenegro e a insensibilidade social, mais uma vez os números valem mais do que as pessoas, como se os números não fossem consequência das pessoas.

S

ão estes momentos que definem claramente o que é Direita e o que Esquerda. Nunca o PS teria esta atitude. O problema é que não sou socialista, sou social democrata, mas a Direita anda de extremos, o PS que ocupe o lugar da social democracia. O Estado dos corruptos, das jogatanas de amigos, de tachos, das burocracias, da chulice de muitos impostos que inviabilizam famílias e projectos está sempre no pedestal do moralismo.

Se Montenegro faz isto para manter a coerência, saiba que nem no Subsídio Social de Mobilidade nem na catástrofe das intempéries esteve bem. E pode ter a certeza que começou a queda do PSD do poder, ainda por cima quando uma ministra da administração interna, em estágio, demite-se.

O facto de o Governo negar apoio a quem perdeu tudo numa tempestade, apenas por causa de dívidas fiscais, é o exemplo perfeito da tecnocracia cega que ignora o sofrimento humano. Toca no nervo exposto da justiça social.

Diz-se que é nos momentos de crise que se revelam os verdadeiros líderes e as verdadeiras ideologias. O que acabamos de assistir com a decisão do Governo de Montenegro, ao cortar os apoios às vítimas da tempestade Kristin que possuam dívidas fiscais, é um retrato fiel de uma direita que perdeu a humanidade. É bom que os eleitores registem para ter presente na hora do Carnaval eleitoral.

Vivemos num Estado que se coloca sempre num pedestal de moralismo, mas que é o primeiro a falhar. A vida não é linear e quando um activo da economia cai é preciso reabilitar, porque pode não ser culpa própria. Montenegro, sabes porque o PSD-M é contra a mesma atitude no Subsídio Social de Mobilidade? Porque a Madeira foi à falência duas vezes e são os madeirenses que estão a pagar. Se a bitola é esta, que não haja mais uma falência porque o povo poder se tornar insensível e haver violência da grossa. Esmagados por impostos que inviabilizam famílias e projetos, no socorro após uma catástrofe natural, o Governo responde com a frieza de um contabilista, tens dívidas? Então não tens ajuda.

Não se esqueçam nunca deste episódio. Isto não é rigor orçamental, é chulice estatal. É exigir tudo a quem já não tem nada, ignorando que, muitas vezes, essas dívidas fiscais são fruto da própria asfixia económica que o Estado impõe.

Montenegro parece não ter aprendido nada com a história recente com Passos Coelho. Está a trilhar o mesmo caminho que levou à queda, o caminho da insensibilidade social. Ao colocar o cumprimento de regras administrativas acima da sobrevivência de famílias que viram as suas casas e bens destruídos pela tempestade, o Primeiro-Ministro assina um atestado de desconexão total com a realidade do país.

Uma governação que prefere deixar um cidadão na miséria porque ele deve uns euros às Finanças, enquanto fecha os olhos aos grandes esquemas de corrupção e ao desperdício de dinheiros públicos em "amiguismos", é uma governação que não merece a confiança do povo.

As intempéries provaram como este governo é fraco, pequeno e incompetente. Não todos têm negócios de casino.



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