- https://www.jm-madeira.pt/economia/cruzeiros-madeira-cresceu-2627-no-numero-de-passageiros-em-janeiro-MO19712583
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Está a decorrer um evento da CLIA no Funchal, agora, mas a indústria utiliza uma linguagem muito específica para abordar esses temas "desagradáveis", transformando problemas em "desafios estratégicos".
De acordo com a notícia sobre a CLIA European Summit 2026, que decorre no Funchal, os temas dos quais comecei a falar estão camuflados sob as seguintes designações oficiais:
Poluição e Navios Gigantes = "Descarbonização". A indústria raramente usa a palavra "poluição". Isto inclui a discussão sobre a transição para combustíveis menos poluentes (como o GNL) e a eletrificação dos portos (ligação dos navios à rede elétrica terrestre para desligarem os motores enquanto estão atracados na Pontinha). So tempo que existem, só agora vai chegar à Madeira, e torna-se um brilharete para tapados e embevecidos.
Invasão de pessoas e "despejo" de passageiros = "Turismo Responsável". O termo técnico que a CLIA e a APRAM utilizam para falar da sensação de sufoco nos destinos pequenos é turismo responsável e desenvolvimento económico regional. Tanta diplomacia para um evento que não decide resolver, porque o que importa são os números, é Eduardinho em terra e Cabaço no mar.
Parece que estou a ver a versão Cabaço da elasticidade do Eduardinho, a gestão de fluxos será tentar que nem todos os passageiros saiam do navio ao mesmo tempo ou que não fiquem todos concentrados na Placa Central e na Zona Velha. Querem ver. É fazer portos à volta da ilha e o navio vai parando a distribuir. Temos que brincar um bocadinho.
O foco principal continua a ser o crescimento, destacam com orgulho um aumento de 26,27% no número de passageiros só em janeiro de 2026, totalizando mais de 113 mil pessoas num único mês. Quando vem uma medalha de ouro por uma razão qualquer?
Este evento na Madeira trata do dilema das regiões insulares, como a Madeira, precisamente porque estas são as mais vulneráveis à "invasão". Com 400 delegados e os líderes mundiais do setor reunidos no Funchal, o debate oficial tenta equilibrar com o sucesso financeiro, o mesmo desregrado do Eduardinho em terra, com um impacto direto de 61,4 milhões de euros na economia regional (época 2024/25).
O facto da Madeira ter atingido o seu "melhor período de sempre" em números (740 mil passageiros) traz o desafio de manter a distinção de "melhor destino de cruzeiros" sem destruir a qualidade de vida de quem cá vive. Portanto, por ar e mar temos duas portas a fazer o mesmo, a nos sufocar, com números, mais dois "PIB's"... que ninguém cheira.
A Madeira vaidosa, acolheu a indústria que faz estes eventos para tentar antecipar as críticas e influenciar as políticas europeias. Enquanto os comunicados oficiais celebram o "boom" na Pontinha, os assuntos desagradáveis são debatidos à porta fechada como questões de logística, infraestruturas portuárias e sustentabilidade.
A Madeira anda embevecida através de fracos governantes que não sabem escolher o modelo para uma ilha viver bem sem esta bagunça dos números, prémios e eventos. Há destino tão silenciosos a fazer o trabalho certo....
O responsável por não se conseguir fazer vida na Madeira denunciou-se com orgulho:
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