- https://www.jm-madeira.pt/regiao/uma-vez-disse-e-voltaria-a-dizer-viva-a-madeira-livre-afirma-durao-barroso-IH19693496
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Assisti, com a perplexidade de quem vê o mofo a ser vendido como perfume, às declarações de Durão Barroso à chegada ao Museu da Imprensa. O antigo Primeiro-Ministro e ex-Presidente da Comissão Europeia veio a Câmara de Lobos cantar loas a uma Autonomia que, no seu discurso, parece um quadro estático de 1976, pendurado na parede para gáudio das elites dominantes desta região, as famílias que beneficiam do modelo económico ultrapassado que mata gerações de madeirenses e nos conduzem para uma era glaciar da demografia.
Barroso é mais um "PIB Albuquerque", é a metro, a narrativa no preço certo, afirma que os números são "impressionantes". Sim, senhor ex Presidente, os números do betão, das estradas e das pontes financiadas por Bruxelas são, de facto, visíveis a olho nu. Mas há outros números que a retórica oficial prefere ignorar, os números do inverno demográfico. Qual o nosso futuro? Nós madeirenses! Aqueles que não são da sua roda de proximidade.
Enquanto se celebram as "conquistas da autonomia" (mas quais mesmo na atualidade?), a Madeira está a morrer por dentro, e nem é discutível por tão claro que esta por trás da propaganda senil, a que se dá a gente que não sabe por onde nem para onde caminha. Criados num ambiente de propaganda e desinformação.
Os nossos jovens, sem Primavera à vista, transformaram o Aeroporto na única obra útil, a porta de saída para uma vida com dignidade, fugindo de uma ilha onde o custo de vida é superior ao de uma capital europeia (comparem os supermercados) e os salários são de província estagnada.
Diz Barroso que há "mais estabilidade na Madeira do que a nível nacional". Para quem olha de fora, ou para quem está no topo da pirâmide, este pântano parece um espelho de água calma, toda a sorte de acusações são um somenos... a pobreza então é de sumidouro. O que Barroso chama de estabilidade, nós chamamos de mofo. Com dois candelabros, um de cada lado.
É o controlo dos mesmos de sempre, as mesmas caras que circulam entre cargos e conferências, bloqueando o arejamento de que a nossa democracia regional precisa desesperadamente! Tudo cansa, farta, azeda, larguem-nos da mão!
Esta "estabilidade" é o que impede a inovação, que mantém a base da militância e da sociedade civil à margem das decisões reais.
Terminar com um "Viva a Madeira livre" até parece coisa de FLAMA, enquanto se foge à questão do Subsídio de Mobilidade, um cinismo político atroz. Não há liberdade real quando os madeirenses continuam reféns de "fricções normais" entre o Funchal e Lisboa que só servem para alimentar o discurso de vitimização de uns e o esquecimento de outros.
Durão Barroso, a verdadeira liberdade não rima apenas com autonomia, rima com oportunidade. Rima com a capacidade de um jovem madeirense poder viver, trabalhar e criar família na sua terra, sem ter de pedir licença aos donos do regime, sem a cunha, só pelo mérito. Sem gente que decide o futuro de cada um pela cor do cartão partidário.
A Autonomia não pode ser um fim em si mesma, nem um museu para recordar 1976. Mas é que nunca saímos desta lenga lenga? Não há mais conquistas a não ser campos de golfe? Se a Autonomia não serve para fixar as novas gerações e para garantir que a Madeira não seja apenas um asilo de luxo para turistas, então ela falhou o seu propósito mais nobre. É tempo de deixar de andar à volta dos mesmos e de começar a construir uma Primavera que não seja feita de betão, mas de gente.
Estou saturado do passado, preciso de futuro.
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