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Os "esquisitos" e os acomodados

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a Madeira de hoje, participar civicamente tornou-se um ato de coragem que carrega um rótulo imediato, o de "esquisito". Quem aponta o dedo ao que está mal, quem sugere alternativas ou quem simplesmente recusa aceitar o "sempre foi assim" ou "não é bem assim" como resposta, é visto com desconfiança. Mas o problema não são os que falam, o verdadeiro entrave são os que se acomodaram ao silêncio e se arrepiam tal como poder de qualquer movimentação de verdadeiro desenvolvimento humano neste marasmo da decadência demográfica por falta de rendimentos.

Enfrentamos uma barreira invisível, feita de gente que, curiosamente, é a primeira a ser contra quem os tenta ajudar. São os acomodados por escolha, que preferem o papel de bonecos de ventríloquo da política regional em vez de assumir o comando da própria voz. Tornaram-se ovelhas do voto, seguem o rebanho, contentam-se com a migalha e desconfiam de quem lhes diz que o banquete também lhes pertence.

Esta classe de cidadãos vive numa serenidade assustadora. Não têm objetivos, não têm ambição de ver uma Região mais justa ou moderna, basta-lhes que a vida lhes dê o "mínimo dos mínimos", mesmo que esse mínimo seja cada vez mais curto, mais caro e mais sofrido. É a sobrevivência por hábito, onde a falta de brio é disfarçada de humildade. Vemos berros pelo futebol, mas não pela própria vida.

É uma ironia é cruel, enquanto estes acomodados protegem o status quo de quem os ignora, há uma fatia da sociedade que carrega o PIB às costas, que produz, que inova e que paga a fatura de um sistema que alimenta a passividade. É o esforço de uns a subsidiar a falta de espinha dorsal de outros, no fim o PIB é de meia dúzia que suga todo o dinheiro regional, da Europa, do PRR, e já projectam mão na Defesa.

Ser "esquisito" na Madeira é, afinal, ser alguém que ainda acredita na dignidade. É recusar ser o figurante de um cartaz eleitoral em troca de promessas vazias, é ver o desaforo governativo em supérfluos e não se queixar porque poderia estar encaminhado para o social. Os acomodados podem ter o conforto do rebanho, mas os "esquisitos" têm algo que o poder não consegue comprar, a consciência de que não nasceram para ser ovelhas.

A Madeira não precisa de mais palmas, troféus e bajuladores por conveniência. Precisa de mais gente "esquisita" que tire o sono aos que acham que o povo amestrado é apenas um número no boletim de voto.

Miguel disse traria a limitação de mandatos, não o fez e prossegue, qualquer dia ainda insinua que nem é preciso eleições como Donald Trump.

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