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Rabuda mamuda.

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O

modus operandi do Chega Madeira, visto de fora e sobretudo vivido por dentro, parece menos um partido político e mais uma peça de teatro de revista, daquelas em que a história nunca muda, apenas se trocam os figurantes enquanto a protagonista permanece firme no palco, com luz própria, curvas próprias e um protagonismo que ninguém ousa disputar. Há sempre a mesma dinâmica, o mesmo guião, a mesma coreografia de conflitos, suspeitas, zangas públicas e reconciliações estratégicas que duram menos do que um story de Instagram.

No centro de tudo está a figura que muitos já tratam em tom de sátira como a “rabuda mamuda”, não como pessoa concreta, mas como personagem simbólica de um poder informal que, em partidos frágeis, costuma surgir quando a política perde estrutura e ganha bastidores. É aquela presença constante que nunca aparece nos boletins de voto, mas surge em todas as decisões importantes; que não assina comunicados, mas parece soprar cada palavra; que não ocupa cargos oficiais, mas influencia todos os que os ocupam.

O Jerico, coitado, aparece mais como intérprete do que como autor. Há quem diga, em tom de caricatura política que é como estas coisas devem ser lidas que sem essa força invisível dificilmente se alinharia um parágrafo coerente. Não por maldade, mas por aquela dependência típica de organizações onde a liderança formal se confunde com a liderança emocional e onde quem controla o ambiente acaba por controlar o rumo.

A tal rabuda mamuda, enquanto personagem satírica, representa esse fenómeno universal da política pequena: a pessoa que não é eleita, não responde a ninguém, mas domina tudo. É a especialista em intrigas de corredor, em conversas de bastidores, em dividir para reinar, em transformar divergências normais em guerras pessoais. Onde chega, instala-se um clima de suspeita permanente. Onde passa, ficam grupos rachados, militantes afastados e um partido mais fraco do que antes.

Naturalmente, como toda boa sátira exagera, fala-se em subvenções públicas que viram lenda urbana, em dinheiro que ganha vida própria, em recursos partidários que parecem sempre orbitar em torno das mesmas figuras, como se o partido fosse um sistema solar em que tudo gira à volta da estrela mais barulhenta. Não são acusações, são metáforas políticas aquelas que nascem quando a transparência falha e a confiança desaparece.

E depois vêm as imagens hiperbólicas, próprias do humor popular madeirense, como a ideia de que certas personagens políticas nem conseguiriam nadar em mar alto, não por falta de braços, mas pelo excesso de bóias imaginárias que a sátira lhes pendura ao corpo. É o tipo de exagero que o povo usa quando quer dizer que alguém ocupa demasiado espaço, pesa demais no ambiente e acaba por afundar tudo à sua volta.

No fundo, quando se fala da rabuda mamuda do Chega Madeira, fala-se menos de anatomia e mais de dinâmica de poder. Fala-se de um partido que, em vez de crescer por ideias, se desgasta por conflitos internos.

Nota do MO: a imagem veio como TXT e não conseguimos converter

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