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SIADAP: o fim do mérito e o triunfo do prémio de militância e favor.

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Todos falam das injustiças, mas ninguém quer se queimar abrindo a boca, vi uma publicação desta manhã. Deve ser por isso que o Madeira Opina existe, segue um texto com a minha opinião. Será que vai ser lido na Função Pública com as redes censuradas?

A

credito que o SIADAP nasceu com uma promessa nobre, premiar o mérito na Administração Pública, mas talvez o legislador tenha inserido a maldade na prática como prémio político. Entre a teoria e a prática, o sistema foi completamente pervertido, transformando-se num autêntico travão à carreira e, pior, numa ferramenta de arbítrio político.

Antes a carreira era igual para todos, mas depois quiseram parar a despesa e começou o SIADAP. A verdadeira razão. O grande pecado do SIADAP é a existência de quotas rígidas. Não basta ser excelente, é preciso que haja vaga para ser excelente e é aí que as injustiças começam. Quando não premeias quando deves, tornas um bom funcionário num indiferente. Num serviço onde todos trabalhem bem, as chefias são obrigadas, por lei, a escolher apenas alguns para a nota máxima. Isto não é avaliação, é um jogo de exclusão que mata a motivação de quem realmente veste a camisola.

Mas se isto não bastasse, o pior vem a seguir. Passamos do mérito ao Prémio Político. Com quotas tão apertadas e critérios muitas vezes subjetivos, a nota de Relevante tornou-se uma moeda de troca. Em vez de distinguir o melhor trabalhador, o sistema acaba frequentemente por premiar a lealdade ou o silêncio. O mérito real, aquele que o cidadão deveria sentir na eficiência dos serviços, perde-se nos corredores do favoritismo.

Hoje, o SIADAP serve mais para poupar dinheiro ao Estado, impedindo progressões naturais, do que para melhorar a qualidade do serviço público. É um sistema entalado na burocracia, onde o formulário vale mais do que o trabalho prestado. O SIADAP é uma gestão de orçamento encapotado, não de pessoas, e que acaba refém da gestão política, premeia-se os nossos.

Na nossa Região, onde a proximidade é constante, urge repensar este modelo. Precisamos de uma avaliação que premeie quem produz, e não quem melhor se posiciona no tabuleiro das influências. Por mim, se há dinheiro para campos de golfe "públicos", voltava ao sistema antigo de carreira para todos.

A Esquerda tem os seus méritos e aos principais conquista no trabalho foram com eles!

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