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Trump deu-se conta que os Açores existem e estão cheios de russos e chineses à volta.

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O

despertar estratégico de Trump dá-se no momento em que vai para mascar um chewing gum de morango e, no embrulho, vem de prémio um pequeno mapa-mundi onde se destaca, por acaso, o mesmo nome que tinha lido algures no dossier para atacar o Irão. À primeira vista pensava que só poderia ser perto da Arábia Saudita, mas depois percebeu que era só um pouco mais para lá dos Estados Unidos.

Estive a olhar para o mapa, um mapa lindo, o melhor mapa que já viram e sabem o que notei? Os Açores. Estão ali no meio do oceano. É uma propriedade de primeira linha. Mas vi uma coisa terrível: os Russos têm submarinos que fazem 'glub glub' muito perto, e os Chineses... eles estão a olhar para aquelas ilhas com olhos de quem quer construir um casino ou uma base de mísseis. Talvez duas! Não podemos permitir. 9 ilhas poderiam dar um Mar-a-Lago ou uma Riviera atlântica, com a intervenção da minha ONU.

J.D. "Avance", o mais esperto da companhia, disse logo que ali falavam marroquino e que foram os americanos que descobriram para colocar uma base, porque toda a gente sabe que o mundo começou com a independência do EUA. J.D. "Avance" não sabia porque os Açores não eram a 54ª estrela da bandeira depois do Canadá, da Groenlândia e da Venezuela.

Uma criança em Visita de Estudo na Casa Branca tomou da palavra e disse que era território português desde a Pré História. J.D. Avance olhou para Trump e disse que tinham as melhores escolas do mundo com carreira de tiro.

Donald Trump não apanhou a conversa toda, porque tinha acabado uma sesta de 10 minutos, e avançou logo com uma proposta de compra:

Portugal é um país fantástico, gente muito simpática, se concordarem comigo, comem um peixe excelente, mas sejamos realistas, manter nove ilhas dá muito trabalho. Vejam aquela ilha do vinho por causa dos campos de golfe. É muita manutenção. Muita relva para cortar. Eu falei com as pessoas, as melhores pessoas, e disse, porque é que não compramos os Açores?

Trump esteve a explicar que os Açores são essencialmente um Porta-aviões de Pedra mas que até abana. É como a Gronelândia, mas com melhor tempo e sem tanto gelo para derreter. Chamar-lhe-emos "The American Atlantic Paradise". Vamos construir um muro? Não, o oceano já é o muro, e é um muro azul lindíssimo.

Disseram-me que a Dinamarca ficou zangada quando quis comprar a Gronelândia. Ridículo! Estavam a perder dinheiro! Portugal tem agora a oportunidade do século desde a pré-História. Podemos fazer um bundle, eu dou-lhes um bónus, talvez uns resorts em Portimão com o meu nome, podemos copiar o Funchal, e eles dão-nos as nove ilhas sem tarifas.

Pela mesma lógica das vacinas, que em vez de gerarem homens laranja geram gente sarapintada, Trump disse que o potencial dos Açores está na bosta seca, quase com o mesmo valor energético do Urânio. Se não aceitarem, bem... as Lajes já são praticamente nossas, não é? Temos lá os aviões, os rapazes, o combustível. É como um Airbnb onde decidimos ficar a morar e mudamos as fechaduras porque o bairro ficou perigoso. Se calhar meia armada já não vai para o Irão e tomamos conta dos Açores. Já temos a Riviera seca, agora passamos a ter a Riviera molhada.

Imaginem a Trump Tower Ponta Delgada. Seria magnífico. Os Chineses vão ver o brilho do ouro das janelas e vão dar meia volta. É uma questão de Segurança Nacional. É um deal estratégico. Portugal fica com o dinheiro para pagar as dívidas e nós ficamos com a garagem do Atlântico. Make the Azores Great Again!

Não se sabe se a história ficou por aqui, temos que aguardar que Trump acorde de novo, a ver se não perdeu muita coisa pelo meio. 

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