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A insustentabilidade dos caga de saco.

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https://www.dnoticias.pt/2026/3/4/483487-rent-a-car-tiveram-proveitos-superiores-a-871-milhoes-de-euros

P

arece que o dia é dedicado aos "caga de saco", assenta que nem uma luva na radiografia estatística que saiu em notícia. É a imagem perfeita de quem quer aparentar uma grandeza e um lucro imediato, ignorando que está a sufocar o próprio espaço onde vive.

A rede viária da Madeira é para servir em primeiro lugar os madeirenses, havendo lugar e prevendo o crescimento económico dentro das nossas limitações orográficas, então cedemos ao turismo. Com conta, peso e medida, aquilo que os mais antigos e mais inteligentes tinham pensado. Turismo de qualidade.

Olhando para os dados da DREM e para a imagem que envio com as devidas honras ao DN-M, a dimensão da insustentabilidade na Madeira é matemática e assustadora.

A imagem é clara, temos uma frota invasora de 13.255 veículos de aluguer, inquilinos rodoviários. Num território com a orografia da Madeira, isto não são apenas carros, são quilómetros de filas, pressão sobre as escarpas e um consumo brutal de espaço público.

Orgulham-se de 87,1 milhões de euros de proveitos, os proveitos mais do que duplicaram entre o 1.º e o 3.º trimestre (de 17M€ para quase 40M€). Enquanto os cofres das empresas (muitas delas grandes grupos) enchem, o madeirense comum demora o dobro do tempo para chegar ao trabalho. O sucesso do setor é, ironicamente, o fracasso da mobilidade regional. São 342.937 contratos celebrados em apenas 9 meses. É gente a mais para asfalto a menos.

A notícia refere que os britânicos não alugam tanto por conduzirem à esquerda. Ainda bem, porque se os ingleses resolvessem conduzir, a ilha simplesmente parava. O sistema está tão no limite que o medo de um turista conduzir ao contrário é o que ainda nos salva de um bloqueio total.

Diz a notícia que esta é uma "divulgação recente" e que não há comparação com o passado. Conveniente, não é? Sem histórico, não se pode medir oficialmente a velocidade do abismo. Mas quem vive na ilha não precisa de gráficos para saber que o número de carros de aluguer explodiu de forma descontrolada.

O "Dossier de Desinformação" vai vender isto como um "sucesso económico pujante". Mas a verdade é que estamos a vender a nossa tranquilidade e a nossa rede viária a preço de saldo. Ter 13 mil carros de aluguer a circular numa ilha deste tamanho é a definição de insustentabilidade.

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