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O primeiro erro lógico do discurso oficial reside na utilização do Produto Interno Bruto (PIB) como prova de ausência de pobreza. Miguel Albuquerque afirma que, se o PIB da Madeira é 108% da média nacional, o risco de pobreza não pode ser elevado. Esta é uma conclusão inválida. Um PIB elevado apenas indica a riqueza total produzida, mas nada diz sobre a sua distribuição. Na verdade, ter um PIB alto e, simultaneamente, a segunda maior taxa de pobreza do país prova exactamente o contrário do que o governante pretende: prova que a riqueza está concentrada nas mãos de elites económicas, enquanto uma parte significativa da população permanece na precariedade.
Além disso, o argumento sobre os «critérios climáticos», como o aquecimento central, é uma falácia de simplificação. O risco de pobreza é medido, sobretudo, pelo rendimento disponível. Ignorar que 20,5% da população vive com recursos insuficientes porque o clima é subtropical é um insulto à inteligência dos cidadãos. A pobreza não se mede apenas pela falta de aquecedores, mas pela incapacidade de pagar rendas, comprar alimentos saudáveis ou aceder a serviços básicos.
Ao comparar a Madeira com a Sicília ou as Canárias, o governante utiliza uma técnica de negação por comparação. O facto de outras ilhas europeias terem problemas graves não apaga a realidade madeirense. Esta táctica serve apenas para proteger os interesses das elites que beneficiam de políticas que mantêm salários baixos e dependência económica. Se o governo regional rejeita todos os indicadores que mostram falhas na sua gestão, torna-se impossível qualquer debate democrático baseado na verdade. A realidade dos 53.300 madeirenses em risco de exclusão é um facto estatístico que não pode ser apagado por conveniência política.
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