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A sintonizar estações...

A Therese sem plano de contingência

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a Madeira existe uma táctica, habitual no Povo Superior, que quando alguém se mete numa encrenca na governação, na vida parlamentar, no partido e até na Justiça, algo que no continente daria pano para mangas na comunicação social e haveria demissões, o indivíduo, feminino ou masculino, deixa-se ficar calado e aguarda que o tempo passe e esqueçam. Na Madeira, do Povo Superior, a moralidade e a ética é assim, um código de rabos de palha que envolve quase todos.

Agora vem a Therese, as previsões meteorológicas são agrestes até domingo, são 5 dias. Tempestade após tempestade, com previsões certeiras numa nova era meteorológica na Madeira, fala-se de tudo e não há um jornalista capaz de perguntar a Eduardo Jesus qual o plano de contingência desta vez no nosso aeroporto. Mais uma vez este governante herói, de palco feito de propaganda e do desgraçar a Madeira, assume a tática, ficar quieto e caladinho até que a tempestade passe. Uma atrás da outra, com a má imagem a multiplicar. Esta isenção jornalística deve-se ao facto dos jornalistas serem submissos e saberem do bullying que o secretário é capaz sobre eles, se não gostar das notícias. O episódio do "bardamerda" da ALRAM não foi um caso eventual.

Um secretário tão herói, de páginas feitas, nunca aparece com o aeroporto inoperacional. O fustigar do vento e a neve nas serras, trazem de novo o habitual rasto de incerteza, voos cancelados, portos encerrados e a economia do turismo em suspenso. Custa muito copiar os outros? Ouvir. Aceder a soluções... Porque é que a Madeira é sempre tão complicadinha em transportes?

Esperar que a tempestade passe, enquanto os passageiros se amontoam no Aeroporto Cristiano Ronaldo é habitual, alguém viu o que o aeroporto do Dubai fez com a contingência da guerra nos primeiros dias? Então andam tanto lá e não copiam? Não há uma estratégia de mitigação robusta, não há uma resposta estruturada que vá além do "gesto de resignação" perante a natureza. Estão a somar anos nisto, quando se fartarem da Madeira será um atrás do outro, imparável.

O mais grave, contudo, não é apenas a falta de iniciativa, mas o silêncio que a rodeia. Numa era de previsões meteorológicas cada vez mais certeiras, torna-se inexplicável como nenhum jornalista confronta o Secretário sobre a ausência de um plano B. Garanto que dava uma peça sem fim atendendo ao historial.

A Madeira não pode continuar refém de uma gestão que tem como única ferramenta a esperança de que o tempo melhore. Governação exige antecipação, logística e, acima de tudo, abertura ao contraditório. Enquanto Eduardo Jesus for poupado às perguntas difíceis, por via do medo, o nosso plano de contingência será sempre o mesmo, ficar a olhar para o céu, à espera que a sorte nos salve da incompetência. Não são só as companhias que devem resolver, o Governo Regional também, agora que esgotou a palhaçada do radar dos ventos, vendido como solução, até parecia um afugentador de tempestades.

Não há exigência de ninguém nas falhas do GR, nem por jornalistas nem pela oposição. Ao contrário do que possam pensar, as tempestades não ilibam o governante, há trabalho por fazer. Sabem quando terei razão? Quando as companhias aéreas se sentirem único player no problema e forem embora para mercados menos problemáticos, com maior lucro e com um governo que funcione.

Há mais pessoas a se aperceber do que vai acontecer, já vi um texto com esse teor no Madeira Opina. O sucesso do turismo não é do Eduardo Jesus, é do simples contacto com low-costs. Acaba o transporte, arruína-se o sucesso, finda o herói.

Na Madeira, os transportes são sempre complicadinhos, autocarros, ferries, portos, aviões e aeroportos. Ou é do malho ou é do malhadeiro. Peguem no dinheiro do golfe e criem um plano de contingência decente.

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