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Cabaz Alimentar: o país que paga mais para comer.

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 26 de Março de 2026, o cabaz alimentar essencial voltou a bater no tecto: 254,40 euros. Não é um acidente. É um padrão. É a prova de que o custo de vida deixou de ser um incómodo passageiro e passou a ser uma máquina de esmagar salários, poupanças e dignidade.

A DECO PROteste monitoriza 63 produtos que representam a mesa real das famílias portuguesas. E o retrato é claro: o problema já não está só na exceção. Está no sistema. Os hortícolas disparam, o peixe mantém-se caro, a carne ficou num patamar obsceno e até os bens de mercearia — pão, massa, cereais, café — sobem como se fossem artigos de luxo. Uma curgete a 2,75 euros por quilo e um tomate chucha a 2,60 não são meros números; são o aviso de que comer bem está a tornar-se um privilégio.

A inflação alimentar não nasce por magia. Vem do preço da energia, dos transportes, dos combustíveis, das falhas na cadeia de abastecimento e da pressão sobre a produção agrícola. Quando há um choque externo, a conta cai sempre no mesmo colo: o do consumidor. E quando o retalho apresenta lucros fortes enquanto as famílias apertam o cinto, a pergunta deixa de ser técnica e passa a ser política. Quem ganha com esta escalada? Quem absorve o benefício? Quem fica a pagar o excesso?

Na Madeira, a situação agrava-se. Em São Vicente e no resto da ilha, a insularidade acrescenta custo ao custo. O IVA é ligeiramente mais baixo do que no continente, mas esta diferença morre no transporte, na distribuição e na menor concorrência. O resultado é brutal: mais dificuldade em pagar as despesas, mais dependência de poucos operadores e menos margem para respirar. A geografia, aqui, funciona como imposto invisível.

O Parlamento discute respostas, mas a verdade é simples: sem controlo sério, sem fiscalização e sem defesa efectiva do rendimento, as medidas cosméticas servem pouco. Baixar os impostos durante uns meses não resolve uma estrutura que continua a punir quem trabalha e protege quem especula. A alimentação não pode ser tratada como uma arma de rendimento nem como um instrumento de chantagem económica.

O que está em causa não é apenas o preço de uma lista de produtos. É o direito básico a viver sem humilhação no supermercado. E quando o país aceita que 254,40 euros sejam “normalidade”, já não falamos de inflação. Falamos de violência social com factura passada ao balcão.

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