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Combustíveis: a lei da gravidade que só funciona para cima

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Gasóleo aumenta 18,7 cêntimos e gasolina 7,2 cêntimos por litro na Madeira.

S

ão boas notícias para acordar os anestesiados, agora deitem a poncha no depósito. É evidente que os proprietários de veículos elétricos riem-se, até ao dia de anunciarem o aumento do custo da eletricidade... para começar a discussão das renováveis. Em Portugal, e muito particularmente na nossa Região, o preço dos combustíveis parece reger-se por uma física muito própria, quando é para subir, os preços têm a velocidade de um foguetão, quando é para descer, sofrem de uma artrite crónica que os faz rastejar a passo de caracol. 

A desculpa das petrolíferas é sempre a mesma, "as cotações internacionais subiram hoje". Mas vamos aos factos que ninguém quer explicar na televisão, Portugal é obrigado, por normas europeias, a manter reservas estratégicas para 90 dias (3 meses). Isto significa que o combustível que estamos a meter no depósito hoje foi comprado, refinado e armazenado há semanas, a preços muito inferiores aos atuais. Se o stock foi adquirido ao "preço antigo", porque é que o aumento é aplicado no minuto seguinte à subida do Brent em Londres?

A lógica ditaria que o preço na bomba só deveria reagir daqui a 3 meses, à medida que essas reservas fossem sendo substituídas pelo combustível comprado ao novo valor. Mas não. Para cobrar mais, o stock é "novo", para baixar, o stock é subitamente "antigo e caro".

Enquanto o madeirense faz contas à vida para chegar ao fim do mês, há quem se banqueteie com a instabilidade. Também aqui na Madeira. As crises são o maior acelerador de fortunas do mundo para quem controla a energia. Vejamos o exemplo que vem do outro lado do Atlântico. Donald Trump, que nunca escondeu o seu descarado conflito de interesses entre o poder público e os seus negócios privados, já se vangloriava do controlo dos mercados. Para tipos como ele, a instabilidade é um ativo financeiro. Não é coincidência que a sua fortuna tenha disparado em tempos de tensão, enquanto o mundo arde em inflação, os magnatas da energia e os seus aliados políticos brindam aos lucros recorde.

O sistema está montado para que o risco seja sempre do povo e o lucro seja sempre do cartel. O governo e as petrolíferas alimentam-se deste "delay" conveniente. É urgente questionar, se temos 3 meses de reservas, quem é que está a ficar com a diferença de preço entre o custo de armazenamento e o valor de venda imediato? A resposta, infelizmente, já todos a sentimos na carteira.

Há sempre um comentário de um alucinado (este no DN):

  • https://www.dnoticias.pt/2026/3/12/484563-gasoleo-aumenta-187-centimos-e-gasolina-72-centimos-por-litro-na-madeira/
  • https://www.jm-madeira.pt/regiao/gasoleo-rodoviario-aumenta-187-centimos-na-proxima-semana-HB19813015

Agora digam mal do Governo Regional! Os preços mais baixos do país!

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