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São Vicente: dinheiro público e contas que precisam de explicação!

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á perguntas que não deveriam incomodar uma Câmara Municipal. Esta é uma delas: o que fazem, ao certo, estas associações e clubes para receberem tanto dinheiro do erário público? Não se trata de capricho nem de caça ao boato. Trata-se de transparência. Trata-se de saber que serviço concreto é prestado à população para justificar apoios que, somados, deixam qualquer contribuinte a pensar duas vezes. Casa do Povo da Boaventura: 70.000 €. Associação Cultural e Desportiva de São Vicente: 50.000 €. Valour Futebol Clube, no Rosário: 15.000 €. Clube Naval de São Vicente: 12.000 €. Associação de Tiro e Caça de São Vicente: 840 €. A lista existe, os valores estão lá, a dúvida continua exactamente onde sempre esteve: na prestação de contas.

Numa terra pequena, cada euro público pesa mais do que em muitas folhas de orçamento. E quando o dinheiro sai sem uma explicação clara, a suspeita instala-se sozinha. Não basta invocar tradição, hábito, amizade institucional ou a velha liturgia do “apoio ao associativismo”. É preciso dizer, de forma simples, o que foi feito, quantas pessoas foram servidas, que actividades foram promovidas, que resultados foram obtidos e que retorno real teve a comunidade. Se há modalidades desportivas, quais são? Se há dinamização cultural, onde está? Se há trabalho social, qual? Se há utilidade pública, que utilidade é essa, medida em factos e não em discursos decorativos?

O problema não é apoiar. Apoiar é legítimo. O problema é distribuir verbas como quem espalha panfletos, sem critério visível, sem comparação séria e sem balanço público convincente. A Câmara Municipal de São Vicente tem o dever de explicar, com clareza e sem rodeios, porque razão certos apoios chegam a este nível e outros ficam reduzidos a migalhas. Num tempo em que falta tudo aos cidadãos — habitação, salários dignos, respostas rápidas, confiança — sobra dinheiro para estruturas que, pelo menos à vista de quem paga, continuam envoltas numa opacidade irritante. Quem recebe dinheiro público deve aceitar uma regra básica: ou mostra trabalho, ou perde credibilidade. E, numa democracia decente, o dinheiro do povo não serve para alimentar nevoeiro.

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