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Numa terra pequena, cada euro público pesa mais do que em muitas folhas de orçamento. E quando o dinheiro sai sem uma explicação clara, a suspeita instala-se sozinha. Não basta invocar tradição, hábito, amizade institucional ou a velha liturgia do “apoio ao associativismo”. É preciso dizer, de forma simples, o que foi feito, quantas pessoas foram servidas, que actividades foram promovidas, que resultados foram obtidos e que retorno real teve a comunidade. Se há modalidades desportivas, quais são? Se há dinamização cultural, onde está? Se há trabalho social, qual? Se há utilidade pública, que utilidade é essa, medida em factos e não em discursos decorativos?
O problema não é apoiar. Apoiar é legítimo. O problema é distribuir verbas como quem espalha panfletos, sem critério visível, sem comparação séria e sem balanço público convincente. A Câmara Municipal de São Vicente tem o dever de explicar, com clareza e sem rodeios, porque razão certos apoios chegam a este nível e outros ficam reduzidos a migalhas. Num tempo em que falta tudo aos cidadãos — habitação, salários dignos, respostas rápidas, confiança — sobra dinheiro para estruturas que, pelo menos à vista de quem paga, continuam envoltas numa opacidade irritante. Quem recebe dinheiro público deve aceitar uma regra básica: ou mostra trabalho, ou perde credibilidade. E, numa democracia decente, o dinheiro do povo não serve para alimentar nevoeiro.
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