Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

Hipocrisia no Solar do Aposento.

Moderação 0

F

ala-se de “extorquir o erário público” e de quem “não sabe trabalhar honestamente”, mas quem ocupa o seu tacho no Solar do Aposento mantém-se confortavelmente instalada. É este o modelo de serviço público que nos querem vender? O manifesto soa a fraude moral. Se quer igualdade, abandone o privilégio que o partido lhe arranjou à custa de quem precisa.

São Vicente está farto de salvadores de pacotilha que escrevem textos bonitos para esconder as mãos na massa. O Solar do Aposento tornou-se um símbolo do descaramento. Fala-se de vícios e cargos fantasmas por quem se aquece no calor do tacho partidário. A revolta é legítima. A moral, não. Antes de apontarem dedos, limpem o vosso próprio quintal. Denunciar esquemas exige mais do que indignação: exige nomes, datas e documentos. Sem isso, as acusações viram-se contra quem as profere. A retórica inflamável corrói a credibilidade do combate à corrupção.

A verdade que São Vicente precisa passa pela transparência e pela ação: auditorias públicas, inquéritos com prazos claros, divulgação dos resultados. Exigem-se também propostas concretas — um plano municipal de habitação com metas, programas de inserção laboral e regras rigorosas para os clubes e associações (contas públicas, concursos, contratação transparente). Dizer “mais cedo ou mais tarde tudo vem ao de cima” é um consolo vazio. A alternativa é exigir processos que produzam provas e sanções legais. Há hipocrisia quando se milita contra os privilégios enquanto se beneficia deles. Criticar “lugares reservados” a partir de um posto conseguido por favor partidário é um insulto à inteligência dos vicentinos. A coerência exige assumir responsabilidades públicas ou retirar-se.

A indignação deve transformar-se em processo. Apoiar a revolta, sim — mas condicionar a acusação à prova. Traduzir a raiva em medidas públicas é o caminho para que a justiça deixe de ser desculpa e passe a ser reparação. Menos sermões, mais responsabilidade. Menos teatro, mais processos. São Vicente merece verdade — e não máscaras. Se a convicção não for acompanhada de prova, é apenas ruído político. Exigimos factos, não golpes de efeito. Ou despedimento, ou investigação séria. Basta de falsas virtudes e de gestos para a fotografia.

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.