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Estão reservados 4,6 milhões de euros apenas para estudos de novas vias e variantes, é o "déjà vu" de um modelo económico que se recusa a evoluir. Albuquerque, precisamos de madeirenses a nascer. Do Funchal ao Caniço, da Ribeira Brava à Calheta, e o regresso do túnel da Encumeada à lista de prioridades, a mensagem do Governo Regional é clara, o progresso mede-se em metros cúbicos de cimento. E parece que tem sucesso pela aprovação do eleitorado. Alguém pensa ou ninguém se atreve a travar?
Dizem-nos que estas vias são para melhorar a mobilidade, mas qualquer especialista em urbanismo sabe que mais estradas atraem mais carros, sobretudo com esta política de low cost que implementaram no turismo da Madeira. É o ciclo vicioso do "induzir tráfego". Gastamos milhões em asfalto enquanto o transporte público permanece ineficiente, caro e desenfreado. Ninguém parece querer mudar o disco. O setor da construção civil continua a ser o grande motor que alimenta as decisões políticas, num conluio de interesses que ignoram a preservação da paisagem e a qualidade de vida a longo prazo. Estamos a transformar a ilha num imenso parque de estacionamento ligado por túneis, destruindo o "ouro verde" que é o nosso maior ativo turístico e ambiental. Estamos no constrói-enche. Gera-se problemas e resolve-se com problemas.
Onde estão os 4,6 milhões para estudar a transição energética? Onde está o investimento sério na digitalização dos serviços públicos que evitaria que tantas pessoas tivessem de se deslocar diariamente? Porque não se aplicam os ensinamentos da Covid? A resposta está nas máquinas que já aquecem os motores, mais rent-a-cars. Enquanto o modelo económico for este, o futuro da Madeira será pavimentado, mas estará longe de ser brilhante. É hora de perguntar, queremos uma ilha para as pessoas ou uma ilha para as escavadoras? Não se resolve aumentando o problema, mas sim discipliná-lo e tendo coragem para admitir a capacidade de carga possível em vez de se andar com elásticos.
Qualquer dia começam a fazer fajãs artificiais, sempre para estrangeiros, enquanto a população nativa diminui.
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