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A sintonizar estações...

Não se lembrou de ser solidário, mas lembrou-se do dinheiro para obras.

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  • https://madeira.rtp.pt/politica/madeira-quer-financiamento-do-ptrr-video/

C

om o tempo que decorre, as atitudes de Albuquerque mostram que a desumanidade é grande e a falta de valores também, fora do pacote da propaganda e da imagem da agência de comunicação, dos servicinhos do MediaRAM e publicidade paga, jornalistas assessores e jornalistas de passeio, das culinárias e de alguém a postar por ele idiotices nas redes sociais. Fica a caracterização do indivíduo.

Albuquerque esquece sempre de ter palavras no seu estatuto de Presidente do Governo da Madeira e de ser útil nos infortúnios dos outros que não se esquecem de nós... nos nossos, por todo lado, no continente e zonas onde existam madeirenses ou que se lembraram de nós (registo Timor duas vezes depois de nem um tostão para Timor - AJJ).

Num vídeo da RTP-M, Miguel Albuquerque é visto em reuniões estratégicas para garantir verbas do Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) para infraestruturas como portos e estradas, com investimentos que podem ultrapassar os 200 milhões de euros. O Governo Regional está a desenhar propostas para o PTRR focadas em portos e vias rápidas.

Enoja-me que o PTRR tenha sido desenhado pelo Governo da República com um foco muito específico, o de apoiar a recuperação de territórios e infraestruturas afetados pelas graves intempéries que atingiram várias regiões do Continente e ver Miguel Albuquerque a tentar reinterpretar ou alargar o âmbito deste fundo.

Que não venha mais um 20 de fevereiro e do continente venham buscar dinheiro de uma Lei de Meios.

Não sei se apareceu o Tsunami do Calado ou a enxurrada das áreas de corta fogo do Verão que no Inverno a sério vão encaminhar inertes para as ribeiras, mas Albuquerque mencionou que as obras no Porto do Funchal podem rondar os 200 e tal milhões de euros, enquanto o nó da Via Rápida a norte poderá custar cerca de 78 milhões. Já temos "boa fama", só falta as pessoas atingidas da zona centro verem a notícia... São vias para escoar a insustentabilidade dos carros que meteram na ilha ou para ir mais rápido para um campo de golfe. Com sorte, o Miguel de Sousa ainda sugere meter mais um campo de golfe no PTRR.

Albuquerque nunca se lembra directamente dos madeirenses mas sim de portos e vias rápidas para boas facturas para os amigos. Espero que o Dubai deixe de ter drones a cair para não estragar a máquina oleada de angariação...

Albuquerque é um predador, tem uma agilidade política para negociar milhões para betão e obras públicas, mas falta de empatia ou de apoio direto e imediato às populações em momentos de catástrofe natural e do social na Madeira. Tinha que ser amigo de Passos Coelho. A resposta a crises humanas na Madeira é um clássico de quem ninguém se lembra, por isso falhou no PRR.

Albuquerque não está a dizer que a Madeira foi afetada pelas mesmas intempéries. Ele está a usar um argumento de "oportunidade" e "estratégia", a redesenhar a natureza do programa para levar o seu. Defende que, se há fundos para infraestruturas resilientes (PTRR), a Madeira deve ser incluída com base na sua importância geopolítica. Dá vontade de rir, importância geopolítica, deve estar a pensar numa base da NATO por cá para sermos um novo alvo para receber misseis. Albuquerque transforma uma necessidade de "recuperação de danos" numa necessidade de "investimento estratégico" (Portos e Vias Rápidas), a mesma conversa do Golfe! Todos sabemos para quê... facturar.

O fundo foi criado para responder a um infortúnio (cheias e destruição no continente). Quando Albuquerque aparece a pedir 200 milhões para o Porto do Funchal sob este mesmo chapéu ele antecipa intempéries, o tsunami do Calado... que já aponta para facturar. Lembro que os antigos não prosseguiram o alongamento da Pontinha, concebiam mais um braço de porto por fora, mas na altura não tínhamos hotéis encavalitados na zona. Estudaram para essa conclusão.

Não existe fundamento, é um mecanismo de emergência para financiar obras que já estavam nos planos, mas para as quais não havia dinheiro.

Eu gosto da minha terra e quero-lhe bem, mas honra, decência e ética é coisa que não vejo no indivíduo que se deixou insensível no areal do Porto Santo com a Madeira a arder. O conceito de "resiliência" na Madeira parece ser sempre sinónimo de obras públicas, ignorando a componente humana e solidária que deu origem ao fundo. O conceito de resiliência na Madeira de Albuquerque foi sequestrado pelo betão. Não se trata de proteger populações, mas de escoar a insustentabilidade de uma ilha cada vez mais cimentada. Fica a caracterização de um indivíduo para quem o social é invisível, mas o cimento é sagrado.

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