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A sintonizar estações...

O algoritmo alimenta burros

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ste meu texto deve-se a uma conversa que fiz com um elemento do Madeira Opina. A conclusão deixo que sejam eles a dizer se desejarem. O que venho cá fazer é mostrar, sem dar manteiga, como é importante manter o Madeira Opina aberto à Opinião Pública para lidar com a pluralidade de ideias. Estamos dominados por algoritmos, não são apenas um seletor de conteúdos, eles arquitetam realidades paralelas. A um ponto que nos Estados Unidos está a ser julgado um caso interessantíssimo que levou à morte de rapaz (deixo o link ao MO se desejar colocar no final do meu texto).

Cada vez mais quase todos fazem finca pé na sua convicção sem permitir acordos, com cedências de todos, um fundamento da democracia. O algoritmo forma piores pessoas através da dieta de conforto, o algoritmo alimenta-te só com a persepctiva que desejas. O algoritmo funciona como um chef de cozinha que só serve o teu prato favorito. Se ele percebe que tu gostas de "A", ele nunca te servirá "B".

Ao eliminar o que é diferente ou desconfortável, o algoritmo retira o esforço intelectual de questionar, extingue o contraditório, gera falta de contraste. Em vez de gerar o inconformismo do conhecimento, quanto mais se sabe mais se quer saber, o algoritmo atrofia o ser humano. Se a isto juntarmos o estado atual de controlo da informação na Madeira, não vamos longe.

Uma mente que não é desafiada por ideias opostas torna-se preguiçosa, eu diria ditadora, só quer falar do que se sente confortável. É atrofia mental, desculpem os modos, os algoritmos alimentam burro porque não exige pensamento crítico, apenas consumo passivo.

Estamos a falar de um gueto digital, mais uma bolha, uma redoma, um dogma. O sistema cria uma ilusão de que "toda a gente pensa como eu". Se só vês opiniões que confirmam as tuas, passas a acreditar que essa é a única verdade. É um espelho em frente a outro para gerar um espelho infinito.

Por esta razão temos cada vez mais o isolamento do dissidente, estes sim seres superiores (no bom sentido). Quem pensa diferente é visto como um "erro" ou um inimigo, porque o gueto digital nunca te mostrou os argumentos válidos do outro lado.

É assim que afirmo que o algoritmo alimenta burros e é um caminho para o extremismo. Quando uma pessoa é exposta apenas a uma narrativa, qualquer nuance desaparece.

O algoritmo radicaliza ao oferecer conteúdos cada vez mais intensos do mesmo tema para manter o utilizador ligado. É assim que radicaliza por repetição. A tecnologia que dizem que vai mandar no ser humano, na verdade já o influência. 

O debate público morre porque não há terreno comum, as pessoas deixam de discutir ideias e passam a atacar identidades. Por isso na minha conversa com um elemento da plataforma disse que concordava com o anonimato para obrigar as pessoas a debater com argumento, é uma pena que a maldita política da Madeira tende denegrir e descredibilizar. O regime quer burros e algoritmos, quer jornais de propaganda e jornalistas com boa vida por sustentarem o regime. O algoritmo é a morte do meio-termo, é importante manter projectos como o Madeira Opina por mais que se cansem do contínuo assédio que pretende a única narrativa a par do algoritmo. 

O Madeira Opina não é só contra textos de Inteligência Artificial, nunca disseram mas também é contra o algoritmo, é importante a oportunidade de quebrar este ciclo. Ao publicar temas polémicos obrigam o leitor a sair da passividade. São provocados a sair da bolha do sistema e a pensar diferente. Não cedam Madeira Opina, deixem para trás que gosta de algoritmo. Mostrar que a verdade tem vários ângulos (o técnico, o político e o social) é o antídoto contra o dogma do algoritmo.

O grande perigo de 2026 não é a falta de informação, é o excesso de informação "mastigada" que impede as pessoas de pensar por si próprias. É o algoritmo da desinformação!

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