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Helena de São Vicente

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o grande romance O Monte dos Vendavais, as personagens vivem presas a paixões, rivalidades e jogos de poder que se prolongam no tempo até que, inevitavelmente, a história encontra a sua heroína. Se alguém quisesse escrever uma versão política local, quase cinematográfica, poderíamos imaginar um título semelhante: A Ilha do Chega em São Vicente. E, nesse enredo, há uma figura que acabará inevitavelmente por ganhar relevo: Helena.

No xadrez político que se desenhou, Zé Carlos tomou uma decisão estratégica clara: retirar poderes políticos diretos a Helena e ao seu escudeiro Fábio. Em contrapartida, optou por nomear um conjunto de chefes de divisão e reforçar a dimensão técnica da máquina administrativa. À primeira vista, pode parecer uma solução inteligente, diluir responsabilidades, distribuir decisões e proteger-se politicamente.

Mas a política municipal raramente funciona de forma tão simples.

Quando os poderes ficam formalmente concentrados numa estrutura técnica, na prática continuam a convergir para quem lidera. A pressão, as decisões difíceis, os conflitos internos e externos acabam sempre por regressar ao mesmo ponto: ao presidente e ao centro do poder político.

Zé Carlos é, reconhecidamente, um excelente vendedor de seguros. É um homem habituado ao mundo das vendas, da negociação e da persuasão. Esse perfil pode funcionar muito bem numa primeira fase, especialmente quando se trata de gerir relações e construir consensos.

Contudo, governar uma autarquia é uma maratona, não um sprint. Durante um ou dois anos, é possível suportar a pressão constante que vem de todos os lados, da oposição, da administração, da população e das inevitáveis crises locais. Mas manter durante muito tempo todos os focos de tensão concentrados numa só liderança pode tornar-se um teste psicológico e político difícil de sustentar.

É precisamente aí que a história política pode dar a sua volta.

Tal como nas grandes narrativas clássicas, quando o protagonista começa a vacilar, surge a figura que estava à espera do seu momento. E nesse enredo, Helena pode muito bem assumir esse papel.

Helena reúne características que, no tempo certo, podem transformá-la numa figura de liderança forte. Experiência local, conhecimento das pessoas e capacidade de se afirmar num contexto político exigente.

Não seria absurdo imaginar, num futuro não muito distante, um cenário em que Helena reunisse as condições para se tornar a primeira mulher presidente da Câmara Municipal de São Vicente.

A política local tem muitas surpresas. E, por vezes, as verdadeiras protagonistas entram em cena quando menos se espera.

Força, Helena.

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