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Gabinete de Prevenção da Corrupção… ou prevenção da gramática?

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á nomeações que levantam grandes debates jurídicos. Outras levantam apenas uma questão muito mais simples, como é que isto aconteceu? A mais recente curiosidade administrativa envolve o coordenador do Gabinete de Prevenção da Corrupção, Alexandre Silva. Um cargo cujo título, convenhamos, exige duas coisas básicas: falar com clareza e explicar ideias com algum rigor.

Ora, aqui começa o pequeno problema.

Há quem diga, com alguma perplexidade, que o coordenador em causa tem uma dificuldade curiosa, terminar uma frase com princípio, meio e fim. Aquela estrutura clássica que aprendemos cedo na escola: sujeito, predicado… e, se tudo correr bem, algum sentido pelo meio.

Nada de grave, dirão alguns. Afinal, em política portuguesa já vimos carreiras sólidas construídas com muito menos gramática e bastante mais improviso.

Mas a curiosidade não fica por aqui. Isto é mérito… ou apenas mais um episódio da longa tradição regional do “arranja-se um lugar”? Principalmente quando este gabinete não tem poder executivo. Julgo que a Legislação portuguesa é bem clara quanto ao que é e não é corrupção.

Porque quando alguém que mal consegue articular duas ideias seguidas aparece à frente de um Gabinete de Prevenção da Corrupção… a minha cabeleireira começa a pensar que algo não bate certo aqui….

E depois há a pergunta jurídica, talvez a mais fascinante de todas, como é que passou o exame da Ordem dos Advogados? Não é uma pergunta maldosa, acreditem. Afinal, os exames costumam exigir precisamente aquilo que aqui parece escasso, raciocínio estruturado, linguagem clara e capacidade de argumentação.

Mas talvez estejamos apenas a ser injustos. Talvez exista uma nova escola de pensamento jurídico que ainda não chegou ao resto do país, o direito em versão telegráfica, frases interrompidas e sem lógica.

No fundo, tudo isto apenas confirma uma velha máxima da administração pública regional, quando surge um cargo novo com um nome pomposo, há sempre duas hipóteses.

Ou nasceu para mascarar um problema.

Ou nasceu para resolver o problema de alguém.

E na Madeira, convenhamos, as duas hipóteses aplicam-se, não é verdade Miguel Albuquerque?

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