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À primeira vista, o tema parecia muito promissor. A cibersegurança é um assunto atual e relevante que deveria interessar especialmente aos jovens, aqueles que cresceram com a internet e as tecnologias digitais. Era uma oportunidade perfeita para a Juventude Popular mostrar a sua vitalidade, renovar os seus quadros e provar que ainda é uma força ativa.
O problema começou quando olhamos para o auditório. Se alguém entrasse na sala sem saber o que estava acontecendo, provavelmente pensaria que estava em uma reunião de antigos militantes ou em um encontro de ex-alunos políticos. A média de idades dos presentes parecia estar entre 45 e 50 anos, o que é curioso, considerando que as juventudes partidárias são compostas por membros com até 30 anos.
Parece que, na prática, a definição de juventude é um pouco flexível. Quem acompanha as atividades da Juventude Popular Madeira sabe que essa “juventude prolongada” já se tornou uma característica da organização. Em evento após evento, a cena se repete: uma plateia respeitável, experiente e madura, mas com pouca presença de jovens.
Talvez seja uma nova abordagem política: ser jovem em espírito. A verdade é que a iniciativa sobre cibersegurança simbolizou algo mais profundo. A tentativa constante de ressuscitar uma estrutura que se apresenta como dinâmica e jovem, mas que parece incapaz de mobilizar o público que deveria representar. O resultado é uma dissonância curiosa: discursos sobre o futuro, inovação e tecnologia, dirigidos a uma audiência que já passou da idade de integrar qualquer juventude partidária.
É claro que há mérito em discutir temas importantes. A cibersegurança merece debate, informação e reflexão. No entanto, quando uma organização chamada Juventude Popular precisa recorrer sistematicamente a plateias que mais facilmente caberiam em um conselho consultivo do que em uma estrutura juvenil, talvez o problema não seja a segurança no ciberespaço. Talvez o problema seja mesmo a segurança da própria juventude da organização.
Quando uma juventude partidária começa a parecer mais uma associação de veteranos políticos, surge a dúvida inevitável: estamos perante um renascimento ou apenas mais um capítulo de uma tentativa de ressuscitar algo que já não consegue mobilizar quem realmente importa. E no meio de tudo isso, a maior ameaça pode não estar no ciberespaço, mas sim na falta de juventude numa organização que insiste em chamar-se jovem.
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