Albuquerque está sempre a fugir de alguma coisa.
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O delírio estatístico de Albuquerque, que ameaça retirar o degelo das Ginjas, surge hoje, o Presidente alega que medir o aquecimento na Madeira é absurdo. A pobreza energética na Madeira não se mede apenas pelo "frio de rachar", mas pela humidade relativa e pelas casas mal isoladas que geram doenças respiratórias crónicas. Chamar "clima subtropical" a uma casa com bolor nas paredes onde um idoso não tem dinheiro para desumidificar ou aquecer minimamente o ambiente é de um cinismo atroz. O critério europeu mede a capacidade financeira de manter a casa digna, não a temperatura exterior. Miguel Albuquerque, entregaste o PRR aos amigos e ignoraste esta questão das casas dos madeirenses. Se vivéssemos na Eslovénia estaríamos mais bem servidos. Vai lá VER!
Albuquerque adora falar de crescimento e de indicadores que nos comparam favoravelmente com a Sicília ou as Canárias. A Madeira pode ter um PIB per capita interessante "no papel", mas a desigualdade é o que o governo esconde. O PIB é inflacionado pelo luxo, pelo imobiliário de alta gama e pelos vistos gold. Quando o Presidente usa Bruxelas (33,6% de risco) para dizer que a Madeira (20,5%) está melhor, esquece-se de dizer que o custo de vida no Funchal, em termos de habitação e cabaz alimentar, está a atingir níveis europeus com ordenados que continuam presos ao fundo da tabela nacional! Pára de brincar Albuquerque isto gera ódios, ainda por cima com alguém que ignora o social para se dedicar ao golfe.
Fazer estas declarações na reabertura de um supermercado no Lido é o auge da ironia política. Alguém no governo de Albuquerque fiscaliza a concertação de preços? Os abusos? Claro que não, eles até deveriam mudar a sede para a Madeira, agora que estão outros escorraçados... LIDL. Enquanto inaugura lojas modernas, a população real enfrenta a inflação galopante dos bens de primeira necessidade. Comparar a Madeira com as Canárias (31,2%) é o consolo dos incompetentes. O governo regional prefere comparar-se com quem está pior para não ter de explicar por que razão, após décadas de fundos comunitários, 1 em cada 5 madeirenses continua em risco de pobreza ou exclusão social.
Dizer que o critério das viagens não faz sentido numa ilha é ignorar o direito à mobilidade. A incapacidade de uma família madeirense de sair da ilha uma vez por ano para lazer não é uma "característica geográfica", é um indicador de isolamento social e económico. Se o madeirense não tem dinheiro para viajar, é porque o seu rendimento disponível é devorado pelo custo de vida insular, que o governo não consegue (ou não quer) controlar.
O Presidente governa para uma Madeira de resorts de golfe e iates. Chamar "subjectivos" e "absurdos" aos critérios científicos de análise de pobreza é um insulto aos técnicos e, sobretudo, às famílias que sentem a privação material. É o discurso de quem vive numa bolha de assessores e agências de comunicação, onde a estatística serve para esconder o facto de que a classe média madeirense está a desapareceu, esmagada entre a elite despesista e a pobreza envergonhada.
Miguel Albuquerque não está a criticar os critérios, o Rei que vai nu, está a tentar invalidar a dor de quem conta os cêntimos. Um governante que gasta o tempo a explicar por que é que os pobres "não são assim tão pobres" é um governante que já desistiu de erradicar a pobreza!
- https://www.dnoticias.pt/2026/3/24/485927-albuquerque-critica-criterios-da-pobreza/
- https://www.jm-madeira.pt/regiao/miguel-albuquerque-critica-criterios-falaciosos-de-analise-do-risco-de-pobreza-HI19880520
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