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Por outro lado, enquanto a pesca de linha e anzol, a mais seletiva e amiga do ambiente, é asfixiada, assistimos a um fenómeno curioso na nossa costa, a proliferação das jaulas de aquicultura. Parece haver sempre espaço e vontade política para expandir a produção industrial de douradas, mas nunca há folga para deixar o pescador de espada renovar a sua ferramenta de trabalho.
Não quero que ninguém se ofenda mas sou obrigado a pensar numas coisas...
Estamos a assistir a uma substituição deliberada da nossa soberania alimentar artesanal por um modelo de exploração industrial? Estaremos a trocar o peixe-espada-preto, símbolo da nossa gastronomia e peça fulcral para o cartaz turístico, por um mar de plástico e concessões privadas? Será que há mais pessoas a pensar como eu?
Sem barcos novos, não haverá jovens pescadores. Sem jovens, a arte morre. E quando a arte morrer, o peixe-espada-preto passará de prato regional a raridade de luxo, possivelmente importada, enquanto as nossas águas servem de quintal para monoculturas marinhas que pouco dizem à nossa identidade.
É urgente que o Governo Regional e os nossos representantes em Bruxelas batam o pé. A especificidade da Madeira não pode ser chumbada por quem nunca sentiu o balanço do mar. A justiça social e a preservação da nossa história exigem mais do que lamentações, exigem motores novos, barcos dignos e um mar que continue a pertencer aos madeirenses.
Não restam muitas profissões tradicionais na Madeira.
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