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O regresso de CR0

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Carlos Rodrigues regressou ao seu estado natural: CR0.

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iz o povo que quem não tem o que fazer, desmancha e torna a fazer. No caso de Carlos Rodrigues, o nosso eterno CR0, uma sigla que resume bem a sua contagem de votos próprios em duas décadas de "sacrifício" público, a ocupação atual parece ser a de mestre da coerência elástica.

O nosso paladino do golfe (praticante, claro, que a elite não se mistura com o padel da plebe) decidiu vir a público dar uma lição de economia regional. Carlos é contra o Governo construir campos de golfe. Quer dizer, é contra, mas a favor dos do Porto Santo e do Santo da Serra. Porquê? Porque sim. Talvez porque o relvado de uns seja mais "democrático" que o de outros, ou porque a sua bússola política, habituada a girar conforme o vento do tacho, se tenha esquecido de calibrar o GPS entre a ilha dourada e as serras.

O raciocínio é de uma sofisticação que escapa ao comum mortal: o Governo não deve construir campos (até porque nem é o Governo que os vai construir, mas quem se preocupa com factos quando se quer ser popular?), mas deve construir as acessibilidades e infraestruturas. Brilhante! É como dizer que somos contra cozinhar o jantar, mas fazemos questão de comprar os tachos, ligar o fogão e picar a cebola. No dicionário de CR0, "infraestrutura" deve ser um conceito místico que não envolve betão, nem dinheiro do contribuinte, nem as adjudicações à empresa da família que tanto gosta de ver o nome no JORAM.

Esta súbita preocupação com o "interesse público" será o testar das águas para a sucessão de Albuquerque? Há dois anos, já se insinuou como o herdeiro. Agora, alapado na vice-presidência da Câmara e encostado à almofada de Jaime Filipe Ramos, Carlos tenta o impossível: ser o rebelde do sistema enquanto vive, respira e se alimenta dele.

É o mesmo homem que prometeu sair da política ativa três vezes (uma para cada buraco que falhou no green?) enquanto Albuquerque fosse líder, considerando-o "esgotado". Mas, na hora de largar o ordenado, a dignidade deu lugar à súplica. Continuou como deputado, depois pedinchou o lugar de adjunto nas finanças, e suspirou por ser vereador, encavalitado no partido e no seu líder, como um carrapato que critica o sangue que o sustenta.

O homem que outrora pedia a expulsão dos "traidores" que criticavam internamente, agora veste a capa de livre-pensador das redes sociais. Pelos vistos, a traição é como o golfe: depende de quem segura o taco.

Depois de ter prejudicado a maioria parlamentar com a delicadeza de mandar um deputado da oposição para o fundo do mar, CR0 volta agora com a sua "ciência" da viabilidade. Ele, que nunca valeu um voto, quer agora valer uma opinião. Carlos acha que é um Craque, mas a realidade é teimosa: entre tachos pedinchados, incoerências gritantes e uma sede de poder inversamente proporcional ao seu talento eleitoral, continua a ser apenas o CR0.

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