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Portugal teve uma longa tradição de conscrição, marcada por diferentes épocas e necessidades. Convém ver como é que o país reage. No Século XIX e Início do XX, o serviço era baseado no sorteio, mas os mais ricos podiam pagar as "remissões" para não ir à tropa. Isto mudou com a Primeira República, que tentou tornar o serviço mais universal.
O período do Estado Novo e Guerra Colonial (1961–1974) foi o de maior mobilização. O SMO era rigoroso e prolongado (até 4 anos), enviando milhares de jovens para frentes de combate em Angola, Moçambique e Guiné. Esta memória traumática pesou muito na decisão posterior de acabar com a obrigatoriedade.
Depois veio a transição e o fim (1991–2004), com o fim da Guerra Fria, Portugal iniciou a profissionalização. Em 1999, sob o governo de António Guterres, foi aprovada a lei que punha fim ao SMO. Terminou oficialmente com o ministro Paulo Portas. Desde então, o modelo baseia-se no voluntariado.
Estamos na crise de recrutamento quando temos que investir mais na defesa, as Forças Armadas portuguesas estão a enfrentar o que muitos chamam de "esvaziamento". Em 2025, o efetivo rondava os 23.500 militares, muito abaixo do objetivo mínimo de 30.000 necessário para cumprir as missões da NATO e a segurança nacional. Embora o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, tenha anunciado em outubro de 2025 que o número de candidaturas subiu cerca de 30%, a retenção continua a ser o problema, os jovens entram, mas saem rapidamente para o setor privado devido aos baixos salários.
Se o Estado pagar melhor terá mais efetivos? Diferente do que acontecia há 10 anos, hoje figuras de topo da hierarquia militar defendem abertamente o reequacionamento do SMO, o Almirante Gouveia e Melo, tem sido uma das vozes mais ativas, defendendo que o país precisa de "reequacionar o SMO" ou criar uma "variante mais adequada" (possivelmente um serviço cívico/militar universal) para aumentar a disponibilidade da população para a defesa. Mas há outros, o General Eduardo Ferrão (Exército),partilha da ideia de que a reintrodução deve ser "estudada e avaliada" perante a nova realidade europeia.
Um estudo recente (SEDES, 2026) indicam que o apoio ao SMO está a crescer, com cerca de 47% dos portugueses a verem com bons olhos o regresso de uma componente obrigatória.
Neste momento, não há uma decisão política para o regresso imediato. O Governo atual (PSD/CDS) prefere apostar num "pacote de incentivos" (melhores salários e benefícios sociais) para atrair voluntários antes de avançar para a obrigatoriedade, que seria politicamente muito impopular.
Contudo, se a tensão com a Rússia continuar a escalar e os incentivos financeiros não forem suficientes para preencher as fileiras, o tema do Serviço Nacional Universal (uma mistura de serviço militar e proteção civil) será a solução "intermédia" mais provável para não chamar diretamente "tropa obrigatória".
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