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Santa Catarina Resort & Quinta Vigia Mini-Golf

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 Parque de Santa Catarina e a Quinta Vigia são locais muito subaproveitados, onde as famílias madeirenses insistem em passear e as crianças em correr, enquanto os tachistas visitam mais acima o beija-mão. Ambos poderiam estar a contribuir para o PIB regional através do swing, tacada na bola e não nas bolas.

Esqueçam os bancos de jardim, as árvores, as flores e os perpétuos amores e ainda a vista para a cidade e o porto. Isso é coisa do passado, de um Funchal que não percebia o seu verdadeiro potencial. O futuro é verde... cruz credo(!), fumos de benzedura de bispo laranja nisso, verde putting green.

Chegou a hora de transformar o Parque de Santa Catarina e os jardins da Quinta Vigia num complexo de mini-golfe de classe mundial. O melhor do mundo. E não, não estamos a brincar. Estamos apenas a seguir a lógica de quem nos governa.

O Buraco 1 começa junto à estátua de Cristóvão Colombo (que, sejamos honestos, ficaria muito melhor a segurar um putter do que um astrolábio). O obstáculo? Uma réplica em miniatura do novo teleférico do Curral das Freiras, mesmo ao lado do heliporto. Se a bola ficar presa, paga-se uma taxa extra.

À medida que os jogadores avançam para o Buraco 9, mesmo em frente à janela do gabinete do Presidente do Governo Regional na Quinta Vigia, deparam-se com a verdadeira joia da coroa, o Heliporto de Aquecimento "Sustentável", que se Deus quiser nunca será perfurado por uma bola.

A logística é brilhante na sua simplicidade. Enquanto aguardam pelo seu slot num campo de golfe "a sério" (daqueles que consomem água suficiente para abastecer uma freguesia), os jogadores fazem fila no Santa Catarina Resort & Quinta Vigia Mini-Golf. Mas não ficam ali parados, a olhar para as flores como simples mortais. Estão a aquecer o swing, ladeados pelas hélices em rotação no heliporto, outro grande obstáculo de interesse mundial com o ruído a desafiar e a bola a sair aos SSssSS após a tacada. Toda a Santa Catarina tem que ter vento.

Afinal de contas, o que há de mais "sustentável" do que ter helicópteros a fazer vaivém a cada 15 minutos para transportar quatro pessoas de cada vez? Temos PIB de Dubai, petróleo não é problema. É a eficiência máxima da pegada de carbono por metro quadrado. O barulho das turbinas? É música para os ouvidos de quem ama o progresso, parece que já vejo os cromos do tunning agarrados às redes que separam os eleitos da plebe, "deixem-me entrar em choro que desalma". O cheiro a combustível? É o perfume do turismo de luxo.

Este projeto encaixa que nem uma luva na visão macroeconómica que nos foi apresentada recentemente pelo Secretário Eduardo Jesus. Como os helicópteros e as taxas de green fee não fazem parte da "despesa mensal da maioria das famílias", a inflação gerada por este empreendimento é puramente teórica e não deve preocupar ninguém.

A Quinta Vigia deixará de ser a sede do poder político para se tornar o clubhouse mais exclusivo do Atlântico, mas vai se continuar a decidir os ajustes diretos. Os conselhos de governo podem ser realizados no Buraco 18, entre uma tacada e um flûte de champanhe, celebrando a "trajetória inacreditavelmente extraordinária" da economia regional. O Savoy vai exigir que o green se estenda às suas instalações, querem ver, é que tudo tem de ir lá bater, inclusive a bola nos vários buracos de instituições e empresas sinistras que mereciam uma "visita".

A Madeira não precisa de jardins públicos nem de Raimundos. Precisa de bunkers de areia importada e heliportos operantes 24/7. Porque se é para aparecer nas notícias, que seja com classe. O resto? O resto é buraco. Só falta o hotel multicolor, ainda não abriu?

É hora da Farinha comprar o Marina e o Governo infraestruturar.

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