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Na Madeira, o cenário é particularmente crítico, onde o partido conseguiu vitórias históricas que se estão a desmoronar em poucos meses. Esta semana, a Câmara de São Vicente, a única presidida pelo Chega no país, viveu um momento insólito. O vereador Fábio Costa (eleito pelo Chega) votou contra uma proposta do seu próprio presidente de Câmara, José Carlos Gonçalves (também do Chega). A proposta da presidência foi chumbada, uma vez que o vereador se juntou aos dois eleitos do PSD. Em causa estavam divergências profundas sobre o processo das Grutas de São Vicente e a gestão da empresa Naturnorte. Fábio Costa denunciou "omissões graves" no processo, expondo uma fratura total na maioria que governa o concelho.
O Chega perdeu toda a sua representação no executivo da capital madeirense em menos de quatro meses após a tomada de posse. Os Protagonistas foram Jorge Afonso Freitas e Luís Filipe Santos. Ambos renunciaram à militância no partido e passaram a vereadores independentes. Divergências "insanáveis" com o líder regional, Miguel Castro. Os vereadores acusaram a estrutura de falta de ética, amadorismo e de tentar impor assessores sem o seu consentimento. A "gota de água" foi um parecer jurídico do partido que questionava a legalidade de um dos vereadores exercer o cargo.
E seguimos para Lisboa, a maioria de Moedas com o Chega (Fevereiro 2026). Embora as autárquicas tenham sido em 2025, o impacto fez-se sentir na governação de Carlos Moedas com uma vereadora eleita pelo Chega em Lisboa que se desfiliou do partido. Ao passar a independente, a sua viabilização de propostas permitiu que Carlos Moedas passasse a ter uma maioria absoluta "de facto" em certas votações, retirando ao Chega o seu poder de bloqueio na capital.
O crescimento do Chega nas autárquicas de 2025 foi enorme (passou de 19 para cerca de 137 vereadores em todo o país), mas a taxa de retenção está a ser baixa. Estima-se que, a nível nacional, cerca de 9 a 11 eleitos já tenham deixado o partido ou renunciado desde outubro.
O que se passa neste partido desconcertante, truculento, conflituoso e não fiável? Por que é que isto acontece?
Muitos eleitos são ex-militantes do PSD ou CDS que se juntaram ao Chega recentemente ("paraquedistas" ou oportunistas, segundo críticos internos). O partido tenta controlar as nomeações de assessores e gabinetes das câmaras, o que choca com a autonomia dos vereadores eleitos. O Chega revela-se não só um partido de casos de polícia mas também de falta de ideologia autárquica. A nível local, as questões são práticas (obras, PDM, licenças). Sem uma base ideológica municipal forte, as alianças quebram-se mal surge o primeiro desentendimento sobre gestão de recursos.
Parece que o fenómeno dos "independentes" vai continuar a crescer à medida que as estruturas regionais tentam apertar o cerco aos eleitos.
O Chega é o partido sem vergonha, acusa todos, e o seu exemplo é nenhum, como esta semana na Assembleia da República. E o eleitor retém o que anda a fazer com o voto ou só quer confusão? Que um dia não lhe bata à porta como nos Estates!
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