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Quando movimentos classificados como populistas saem da margem da crítica e entram nos centros de decisão, o escrutínio deixa de ser sobre o discurso e passa a ser sobre a competência técnica e a solidez institucional. O problema é não poder emendar logo e por vezes ter que gramar um mandato. E o mal que fazem no mandato?
O populismo alimenta-se de soluções simples para problemas complexos. No entanto, governar exige negociar orçamentos, respeitar a separação de poderes e lidar com a burocracia estatal. É neste terreno que as fragilidades costumam aparecer. Os simplistas encaram a realidade e, de certa forma, é por aí que começa o não respeitar as instituições democráticas.
Ao populismo falta de quadros aquilo que sobra na língua. Tudo o que não queremos é um país governando como São Vicente, muitas vezes, estes movimentos têm líderes carismáticos, mas carecem de equipas técnicas preparadas, são um flop. Depois, quando a governação falha, a retórica tende a desviar-se para o "sistema" ou "inimigos internos", em vez de assumir a responsabilidade administrativa. O que já acontece em São Vicente.
São Vicente é um exemplo de como a gestão local ou regional serve de barómetro. Quando a política se torna demasiado personalizada ou dependente de clientelismos e retórica de confronto, a eficiência dos serviços públicos e a transparência tendem a sofrer. A realidade embate no "simplismo". Quando esão habituados à palavra única, quando começam a gerir pessoas é um enfado.
Uma democracia saudável precisa de instituições que sobrevivam os homens. Se o modelo de governação é volátil ou autoritário, o prejuízo para as populações estende-se por décadas.
Figuras como Trump demonstraram que o objetivo, por vezes, não é apenas ganhar um mandato, mas alterar as regras do jogo (sistema eleitoral, tribunais, comunicação social) para dificultar a alternância. Essa é a tentação do "simplismo" do Chega, para saber e poder governar à sua maneira.
Quatro anos de má gestão podem significar o retrocesso de dez anos em termos de investimento, reputação externa ou coesão social. Nem sempre há mecanismos para eleições intercalares, e o gramar com uma má escolha é um preço alto para a estabilidade de um país ou região.
O voto é importante para participar na decisão, e a responsabilidade da escolha é outra ponderação. Alguns vão por impulsos e não pensam para escolher.
A democracia não é um sistema que garante bons resultados, mas sim um sistema que garante o direito de escolha. Se a escolha é feita com base na emoção do "chega de tudo" sem olhar para o "o que vem depois", o risco de paralisia governativa é real.
A história recente mostra que o populismo no poder ou se institucionaliza e modera (perdendo a sua essência "anti-sistema") ou radicaliza o conflito para esconder a sua incapacidade de gestão. A memória e a atenção aos detalhes da governação local são as melhores armas contra escolhas que podem hipotecar o futuro.
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