Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

Uma capela pela metade.

Moderação 0


Q

uando as alterações climáticas mostram o poder da erosão e levam uma capela, o também secretário do Ambiente a par do Turismo, assistiu a uma parte dela a ser levada, esboçando a mesma agilidade que tem no seu Plano de Contingência do aeroporto. Nem o director regional ventoinha, o do laço, deu a cara. Se no aeroporto se espera que passe o vento, na capela espera-se que o mar leve. O que dirá o capelão do regime investido de bispo de quase todos?

Depois do "programa legal" de abate de quintas da Madeira pela CMF, chega agora o mar que ainda respeita menos PDM's, e levou parte de uma capela.

Esta situação na Fajã do Mar, na Calheta, é o retrato perfeito de um "desleixo anunciado" que, infelizmente, encaixa na narrativa de gestão que temos visto na Região. A Capela de Nossa Senhora da Vida, um símbolo do nosso património do século XVI, não caiu por acaso, caiu porque foi deixada ao abandono perante a força do mar, enquanto as autoridades "assobiam para o lado". Se ainda desse para se fazer um paredão com uma estrada laranja, o governo poderia ter pensando em algo, é que praias são sempre encargo do Governo.

O Bispo, sempre na cobertura do regime, afirmou que "o Deus verdadeiro não está preso a um lugar". Cuidado, dizem os antigos que a praia já chegou próxima da Sé Catedral, o mesmo laxismo já seria imperdoável e, nesta coisa de água e pedra, tanto pode vir pelo mar como de enxurrada pela serra abaixo. Quem não se lembra da capela da Imaculada Conceição nas Babosas...

Se nem a Igreja bate o pé para defender um património que lhe foi doado em 1997, o Governo sente-se livre para deixar o mar levar a história, focando os recursos apenas onde o betão rende votos ou turismo de massa.

É inaceitável que, sabendo-se da instabilidade daquela arriba há anos, não se tenha movido uma pedra para proteger a base da escarpa. Um pouco do investimento arriscado na frente mar de São Vicente dava e ficava dinheiro, houve erosão por falta de enrocamento.

O mar não perdoa, as alterações climáticas, mas a política de "deixar cair para depois reconstruir noutro lado" (como já admitiu o Governo), sai muito mais cara à identidade da Calheta e ao erário público. Neste assunto ambiental não vimos o Eduardo Jesus a fazer pose para o DN.

Estavam, literalmente, "à espera que o colapso acontecesse", transformando um monumento histórico em entulho de cantaria que agora os moradores tentam salvar das ondas.

É uma vergonha para uma Região que se gaba de ser um destino turístico de excelência tratar o seu património histórico com tamanha negligência. Se fosse um hotel em risco, o enrocamento aparecia de um dia para o outro. Sendo uma capela do povo e da fé, espera-se que o mar leve para não dar trabalho. E o Bispo de bico calado.

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.