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O futuro campo de golfe no Faial é um exemplo perfeito de como a narrativa oficial tenta "dourar a pílula" de um investimento de 36 milhões de euros que, para muitos, é um insulto às reais necessidades da população. A propaganda já começou com os habituais argumentos.
O projeto do campo de golfe do Faial é vendido como a salvação económica do Norte, apresentado com números que impressionam, 36 milhões de euros e 3 anos de obras. Mas ao averiguarmos nas entrelinhas das opiniões dos moradores, percebe-se que a propaganda do Governo de Miguel Albuquerque está a tentar sufocar as dúvidas legítimas com promessas de "desenvolvimento". É sempre assim e a população acaba com empregos de baixos salários.
Como sempre, a propaganda foca-se na "expectativa", mas os residentes levantam a questão óbvia que o Governo quer ignorar, as prioridades "Deve haver outras prioridades e existem necessidades mais urgentes".
Enquanto se enterram 36 milhões num campo de golfe (um desporto de elite, com consumo de água e recursos massivos num cenário de crise climática), o Faial continua à espera de investimentos que melhorem o dia a dia real de quem lá vive, e não apenas de quem vem de fora de jacto privado, diz o Albuquerque que será de helicóptero, o que é um perigo porque nunca acertam nos heliportos.
Hoje, o JM destaca a esperança de alguns comerciantes, mas o morador Manuel Sousa toca na ferida, as pessoas que vêm para o golfe não saem do recinto do golfe. "Eles não saem lá de dentro... têm tudo lá dentro". É o modelo do "enclave de luxo", o lucro fica para os promotores e para as grandes cadeias, enquanto a freguesia fica com o impacto ambiental e visual, e as migalhas de um comércio que pouco ou nada verá esses turistas "com dinheiro". Esta malta tem mais olhos do que os do Curral que acham que os turistas a passar por cima não vai privilegiar quem fica no ponto A e ponto B.
O Governo já autorizou uma verba de 28 milhões de euros apenas para despesas de expropriação. Isto significa que, antes de se bater a primeira bola, já se está a gastar uma fortuna pública para retirar terrenos a locais, muitas vezes por valores irrisórios, para beneficiar um projeto privado ou de gestão externa. Se acaso os que têm informação privilegiada não compraram e aí o preço muda... Albuquerque justifica o gasto como "essencial", mas a petição assinada por centenas de pessoas mostra que a "cidade" que ele quer criar no Faial não é a cidade que o povo pediu. "Essencial" é a oncologia!
É a velha política do betão e do luxo de Miguel Albuquerque, obras inventadas, gasta-se milhões em infraestruturas para a elite enquanto se branqueia a falta de investimento em saúde, habitação e apoio real à agricultura local.
Vender o golfe como "revitalização" de uma zona que o próprio Governo deixou definhar é, no mínimo, um ato de cinismo político. Empobreceram para comprara barato?
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