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A dicotomia entre o madeirense "invisível" e o estrangeiro "premium"

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Já repararam que ouvir madeirense está a desaparecer das zonas públicas? 

V

iver na Madeira em 2026 tornou-se um exercício de sobrevivência psicológica. Assistimos, impotentes, à cristalização de uma ilha de dois andares, onde a governação e a economia parecem ter sido desenhadas por um arquiteto que se esqueceu de incluir os residentes locais na planta final. Esta é uma linguagem para os pedreiros da governação. A dicotomia é feroz, de um lado, o estrangeiro detentor de capital, do outro, o madeirense que, na sua própria terra, se tornou um figurante descartável.

O tapete vermelho vs. a porta das traseiras.

A estratégia económica regional parece hipnotizada pelo brilho do capital externo. Criaram-se condições de luxo para atrair nómadas digitais, reformados europeus com pensões intocáveis e investidores de vistos "gold" (agora sob novos nomes, mas com os mesmos efeitos). Para estes, há benefícios fiscais, infraestruturas modernas e uma passadeira vermelha estendida.

Inclusive para invetsir na Madeira há perdão de impostos e os estrangeiros o que fazem é a cada, pelo menos 5 anos, renovar a sua situação para continuar a não pagar impostos. O madeirense fecha portas, porque também as rendas dos espaços comerciais aumentam desmesuradamente a cada renovação de contrato para entrar na nova lógica que pontapeia o madeirense.

Miguel Albuquerque e Eduardo Jesus são genocidas, para quem quiser entender o que se passa.

Para o madeirense comum, aquele que ganha o ordenado médio regional, que mal chega para cobrir a inflação galopante dos supermercados, resta a carestia. Somos empurrados para as margens, tanto geográficas como sociais, porque o nosso poder de compra não consegue competir num mercado que agora negoceia em valores de Londres ou Paris, a preço de alemão ou americano.

A pinça imobiliária:
Riqueza exorbitante e a promiscuidade habitacional.

O mercado de habitação na Madeira transformou-se numa pinça que esmaga as famílias locais em duas frentes.

Primeiro, o afastamento pela riqueza. O residente estrangeiro rico ou o investidor de alojamento local consegue pagar preços por metro quadrado que uma família madeirense, mesmo com dois ordenados, não consegue sequer sonhar. Isto limpa os centros das cidades e as zonas nobres de locais, transformando bairros históricos em "resorts" sem alma.

Segundo, o colapso pela exploração. Do outro lado, a falta de fiscalização atroz permite que o mercado de arrendamento se torne um faroeste. Vemos apartamentos onde coabitam 8, 10 ou 15 imigrantes, sujeitos a condições indignas, mas que, ao juntarem os seus magros recursos, conseguem pagar rendas exorbitantes que nenhuma família madeirense isolada consegue igualar.

O resultado? O madeirense perde sempre. Perde para o luxo e perde para a exploração desmedida da mão-de-obra imigrante que, tal como ele, é vítima de um sistema que só olha para o lucro.

Uma governação de costas voltadas.

Parece que, para quem governa, o sucesso mede-se em estatísticas de turismo e volume de investimento externo, enquanto a pobreza envergonhada cresce nos becos e nas zonas altas com a chapada do PIB. Quando os governantes privilegiam o "cliente" estrangeiro em detrimento do "cidadão" madeirense, estão a vender a identidade da ilha em troca de um crescimento económico que não derrama para a base da pirâmide. O GR quer ricos para os negócios dos amigos que... pingam para os amigos.

A ilha está a ser tomada. Pelos turistas que ocupam o espaço público como se fosse um parque temático, pelos residentes estrangeiros que inflacionam o custo de vida, e por um sistema de imigração descontrolado e sem fiscalização que serve apenas para alimentar a ganância de senhorios sem escrúpulos.

O madeirense hoje não conta. É visto como o funcionário que serve o café, o guia que mostra a levada ou o motorista que faz o transfer. Mas, quando chega a hora de viver, de habitar e de comer, percebe que a Madeira já não lhe pertence. É um estranho na sua própria casa, a ver a sua terra ser fatiada e servida a quem tem a carteira mais cheia, venha ela de onde vier.

Vai sendo insano que as pessoas votem nisto e eu não estou a trazer isto para a política partidária, mas sim na prioridade dos eleitos.

Vai sendo tempo de afastar Miguel Albuquerque e Eduardo Jesus do poder, se a maior parte entender que o que acabo de dizer é a pura verdade dos nossos dias.

Vou-vos fazer uma pergunta: imagine que lhe dá uma vontade de ir ao Pico do Areeiro arejar, no que pensa para ir ou desistir?

Nota: parabéns pelo projecto Madeira Opina, qualquer dia, perante tanta estupidez que se avisa é deixar ir à parede.

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