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A sintonizar estações...

Acordaram para os preços, mas não para o racionamento e os truques.

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E

nqunto na Europa já se começa a racionar tudo para que haja para todos por muito mais tempo, em Portugal, como sempre, andam todos distraídos, o povo ainda mais. Só pensam no preço dos combustíveis, mas falta a noção da gravidade da situação. A comunicação social, habituada a entretenimento e propaganda passam ao lado.

A realidade dos preços nos nossos supermercados atingiu um ponto de rotura que já não é apenas uma questão económica, é uma falta de respeito descarada por quem trabalha e vive na Madeira. E sobre isto está a crise. Em abril de 2026, o cabaz alimentar em Portugal bate recordes históricos (já ultrapassou os 250€ para bens essenciais), na nossa ilha, a insularidade serve de desculpa perpétua para inflacionar ainda mais o que já é por si proibitivo.

A quantas andamos? A resposta é amarga, andamos a ser comidos por parvos à luz do dia.

Onde está a ARAE (Autoridade Regional das Atividades Económicas)? A fiscalização parece viver num estado de "hibernação seletiva". Enquanto os madeirenses fazem contas à vida no corredor do supermercado, a autoridade limita-se a comunicar pequenas apreensões de brinquedos ou operações sazonais, ignorando o elefante na sala: a engenharia de preços que as grandes superfícies aplicam para esmagar o bolso do consumidor.

Uma autoridade que não ataca o problema da transparência de preços é uma autoridade que, por omissão, acaba por proteger o lucro de quem já tem muito, em vez de defender quem tem cada vez menos.

Pelo Madeira Opina alguns consumidores têm denunciado os truques dos supermercados, eu detectei um novo que ainda não tinha lido, é o truque do "Preço Indisponível" no preçário para o consumidor na prateleira.

O marketing empurra-nos para a marca própria do supermercado, onde a margem de lucro deles é, ironicamente, maior devido ao controlo total da cadeia de produção. No entanto, quando uma marca nacional ou internacional está em promoção ou, por alguma razão, com um preço mais competitivo do que a marca branca, o preço na prateleira "desaparece", está indisponível. Só se sabe quando vamos às máquinas, se estiverem a funcionar, e aí descobrimos que estão mais baratos. Ou seja, há grande margem nos produtos da marca do supermercado.

Mas atenção, também acontece que ao levares o produto ao leitor de preços, para tirar a dúvida, surge a mensagem "Preço Indisponível". Caramba, não é que chegando à caixa já dá!

Isto não é um erro informático, é uma estratégia de exaustão. O supermercado sabe que a maioria das pessoas, com pressa ou vergonha de chegar à caixa e ter de devolver o artigo, acaba por levar a marca branca por "segurança" psicológica. É uma manipulação grosseira que retira ao consumidor o seu direito básico: o direito à escolha informada.

Estamos perante um cenário onde os supermercados agem como donos disto tudo. Outros! Feitos com o poder e capazes de banir concorrência. Se a marca branca dá mais lucro, eles "escondem" a concorrência através de falhas técnicas convenientes e etiquetas ausentes.

É urgente que a fiscalização saia dos gabinetes e vá para os corredores com leitores de preços na mão. Não podemos aceitar que, na região com o custo de vida mais alto do país, a transparência seja o primeiro produto a esgotar nas prateleiras.

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