Este não é o partido de Sá Carneiro
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O 25 de Abril não é um evento partidário, mas a fundação da casa onde todos moramos, incluindo as autarquias, incluído a Autonomia que tanto pronunciam. A democracia não se faz apenas em gabinetes legislativos, ela vive onde as pessoas estão. Nada é mais próximo do que o Poder Local, um dos maiores "filhos" de Abril. Antes de 1974, os presidentes de câmara eram nomeados pelo governo. Celebrar o 25 de Abril ao nível municipal é celebrar a autonomia do Funchal e o direito dos funchalenses de escolherem quem gere a sua cidade. Não tem muito tempo que, através da democracia, que chegaram ao poder e agora fazem uma destas?
Quando uma autarquia abdica de celebrar a data, está a ser ingrata com a própria origem da sua legitimidade. É um contrassenso institucional! Mas todos nós sabemos que a qualidade dos eleitos tem vindo a mudar, porque os melhores não se metem na política. É pena.
Meus amigos, é preciso saber o que se faz, o que significa e as chagas que ficam, serão cobradas. Remeter a celebração apenas para a Assembleia Legislativa da Madeira é "enjaular" a liberdade. Uma coisa menor que a Autarquia dispensa.
A revolução foi feita para devolver a rua ao povo. Transformar a data apenas numa sessão solene de políticos para políticos retira o caráter popular e festivo da democracia, a autarquia é o laço mais curto com a comunidade. Lamentavelmente os eleitos não souberam capitalizar. Uma pequenez de espírito. A câmara poderia capitaliza r e muito com a proximidade, afastar o povo da celebração é o primeiro passo para a indiferença. E uma sociedade indiferente é o terreno fértil para regimes autoritários que "se encostam" a ideologias extremistas. A CMF está a fazer um frete ao saudosismo da Velha Senhora.
A memória histórica é frágil, as gerações mais novas devem ser ensinadas a valorizar a democracia e a liberdade para não se deixarem levar nas narrativas do populismo. Estes eleitos são de que lado? Eventos culturais (música de intervenção, debates públicos) não são "gastos", são investimentos em literacia democrática. Servem para explicar aos jovens porque é que hoje podem falar, viajar e votar livremente. Este é o mesmo partido dos campos de golfe e da jantarada de meio milhão na América? Da infraestruturação de negócios de privados, alguns com a suspensão do PDM?
Sem cultura na rua, a data torna-se um feriado vazio de significado. O vazio é rapidamente preenchido por narrativas que branqueiam o passado ditatorial. Não veem os debates na TV, não acham que estão a dar trunfos ao adversário que ainda vai engolir mais votos da Direita?
Muitas vezes usa-se a desculpa de "evitar a partidarização" para cancelar eventos. A democracia é feito do quê? O que se debate nas sessões solenes? Fogem da democracia? O 25 de Abril não pertence a um partido, pertence à Nação. Algo maior do que todos. Se Lisboa ou o Funchal esvaziam a data, estão a dar sinais de que a liberdade é um tema "incómodo" ou de "divisão", a repetir os erros da ditadura.
Não existe neutralidade perante a democracia, ou se celebra com os partidos da democracia, ou se desvaloriza. Ao desvalorizar, o poder político está a validar aqueles que desprezam o regime democrático. Esta atitude do PSD na CMF beneficia o Chega.
O PSD-M criou uma ditadura camuflada na Madeira, será este um sintoma final?
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