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A sintonizar estações...

Cobrar levadas e trilhos como quem cobra IUC com as estradas esburacadas.

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 análise da segurança nas levadas e trilhos da Madeira tornou-se um tema central no debate público, especialmente após a implementação generalizada da cobrança de entradas em 2025 e 2026. Esta transição de "acesso livre" para "serviço pago" altera não só a dinâmica do turismo, mas também o enquadramento jurídico e a perceção externa da ilha.

Ao cobrar uma taxa de entrada (atualmente fixada em 3€ para não residentes em percursos classificados), o Governo Regional (GR) assume uma posição ambivalente. Primeiro, existe uma "Cláusula de Exclusão", no portal oficial de reservas (Simplifica), os utilizadores são obrigados a aceitar que são "pessoal e exclusivamente responsáveis" por quaisquer danos materiais ou humanos (Art.º 11.º do Decreto Legislativo Regional n.º 24/2022/M).

Segundo, juridicamente, especialistas argumentam que, ao cobrar um valor, o GR (através do IFCN) reforça o seu dever de garante. Se um acidente ocorrer por falta de sinalização adequada, degradação do trilho ou falta de avisos de interdição (em trilhos pagos), a exclusão de responsabilidade pode ser contestada em tribunal, alegando-se falha no serviço prestado.

Desde janeiro de 2025, o GR passou a cobrar os custos de missões de resgate (especialmente com o helicóptero) a turistas que se aventurem em percursos não classificados ou encerrados. O custo pode ultrapassar os 1.200€, funcionando como um mecanismo de dissuasão e de transferência de custos do erário público para o infrator.

As tragédias, mortes, acidentes e desaparecimentos, fazem-se notar com frequência com a massificação turística, o "overtourism", que criou um efeito de pressão insustentável porque não se estudou as consequências... só os ganhos.

O excesso de gente atrai perfis de turistas sem preparação física ou equipamento (calçado impróprio, falta de água/lanterna). Isto faz com que incidentes menores (entorses, desorientação) mobilizem equipas de resgate que deveriam estar disponíveis para emergências graves.

O fluxo constante, massivo, contínuo e de intensa carga, degrada o piso e as proteções das levadas mais rapidamente do que a capacidade de manutenção, aumentando o risco de quedas. É um facto. A taxa turística ou as taxas de entrada mesmo que arrecadadas não têm estrutura para manutenção, há pouco tempo, o GR mostrou a intenção de privatizar, mais uma "mama" para amigos, mas que também desresponsabiliza o GR.

As corporações de bombeiros e a Proteção Civil têm alertado para o desgaste dos meios humanos, que muitas vezes arriscam a vida em encostas perigosas para socorrer quem ignorou avisos de segurança. Estamos em emergência contínua, até que um dia se dê o nó chego no socorro, falta de meios. Aposto no Verão com incêndios...

As notícias de desaparecimentos e mortes têm um efeito "bola de neve" nos mercados emissores (como Alemanha, França e Reino Unido). O risco de "Destino Perigoso" é outro facto, a repetição de manchetes internacionais sobre turistas desaparecidos pode mudar a narrativa da Madeira de "Paraíso da Natureza" para "Cenário de Risco"... ou cemitério. Existe um risco reputacional quando um turista paga para entrar num trilho e encontra falta de segurança. A perceção externa passa a ser de que o governo está mais focado na arrecadação de receita do que na segurança real dos caminhantes.

Por outro lado, a cobrança e a fiscalização podem ser vendidas externamente como um esforço de sustentabilidade e controlo de fluxos, desde que o dinheiro seja visivelmente reinvestido em segurança e sinalética inteligente. Eu não vejo isso existir, parece aquele inútil Plano de Contingência da inoperacionalidade do nosso aeroporto com os ventos.

O Governo Regional encontra-se num equilíbrio delicado. A cobrança de entradas dá-lhe os meios financeiros para gerir o território, mas retira-lhe o "escudo" da total irresponsabilidade. Para proteger a imagem da Madeira, a estratégia futura terá de passar obrigatoriamente por limites de capacidade (numerus clausus) nos trilhos mais críticos e numa fiscalização muito mais apertada no terreno, indo além do simples pagamento digital.

Quando se promove o turismo massivo numa ilha que estava bem fornecida de qualidade, sem estudos, temos esta sequência de problema à imagem e semelhança do Subsídio Social de Mobilidade.

É preciso trocar de secretário do turismo para alguém humilde e que trabalhe para as causas e não para os holofotes e prémios. O nosso turismo mudou, a generalidade dos madeirenses não gosta e vai acabar por nos tornar muito mal vistos.

Chamar low costs para encher a ilha não é política.

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