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Do “Caso Dona Branca” ao “Senhor Branco”?

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Transparência também se exige no Chega Madeira

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ortugal conheceu, noutra época, o mediático caso de Dona Branca, figura que ficou associada a um dos maiores escândalos financeiros da memória coletiva. Décadas depois, e sem qualquer comparação factual direta ou imputação criminal, há quem, em tom irónico nos corredores políticos madeirenses, já fale num alegado “Senhor Branco” ligado ao Chega Madeira. A expressão circula apenas como metáfora popular e comentário político, refletindo dúvidas que se ouvem sobre matérias financeiras internas daquela estrutura partidária.

Convém ser absolutamente claro, não se afirma aqui que exista qualquer esquema ilícito, nem que qualquer pessoa tenha praticado crime. O que existe são rumores, comentários e suspeitas políticas que, num Estado de Direito, só podem ser confirmados ou desmentidos pelas autoridades competentes. A presunção de inocência não é detalhe; é princípio essencial.

Dito isto, também não se pode ignorar o debate público. Fala-se, em vários meios, de um dirigente regional com responsabilidades na área financeira e administrativa, cujo percurso anterior terá passado por atividades empresariais e contactos relacionados com processos migratórios de cidadãos estrangeiros, nomeadamente venezuelanos. Tais referências carecem de prova pública e de validação oficial.

Mais sensível ainda é o tema das contas partidárias. Têm sido levantadas interrogações sobre despesas alegadamente pouco claras, movimentos financeiros cuja justificação mereceria escrutínio adicional e relações comerciais com entidades privadas supostamente próximas de responsáveis internos. Reitera-se: nada disto constitui facto provado. São matérias que, se existirem indícios relevantes, deverão ser avaliadas pelas entidades fiscalizadoras próprias.

E aqui entra a questão política centra, quem faz da moralização da vida pública bandeira principal tem obrigação acrescida de apresentar contas cristalinas. Quem denuncia alegados abusos dos outros deve aceitar, com naturalidade, auditoria total às próprias práticas.

Cabe à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público, quando chamados a intervir e se houver fundamento legal, verificar documentos, fluxos financeiros e conformidade das operações. Só essas entidades podem separar boato de realidade, suspeita de prova, ruído de verdade.

A Madeira não precisa de novelas políticas, nem de personagens recicladas em versões modernas. Precisa de instituições a funcionar e de partidos transparentes. Se tudo estiver regular, melhor para todos. Se não estiver, que haja consequências legais.

Até lá, entre a memória de Dona Branca e a ironia sobre um eventual “Senhor Branco”, fica uma certeza: em democracia, contas certas nunca saem de moda.

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