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Enterramos o vime, o bordado e segue-se o vinho.

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inguém, a maioria na melhor das hipóteses tem consciência da importância das notícias internacionais, mas depois da Guerra do Golfo ameaçar o turismo pelos preços das viagens ou falta de combustível para aviões, hoje chega outra realidade. É um "balde de água fria" que expõe a fragilidade de uma economia insular perante a geopolítica global. O recuo de 17 anos na comercialização do Vinho Madeira para os EUA não é apenas um número estatístico, é o desmoronamento de uma ponte comercial que demorou décadas a ser construída.

E então, esse investimento de meio milhão num jantar promocional nos EUA já deu este resultado?

Muitas vezes, o isolamento geográfico cria uma falsa sensação de proteção. No entanto, a notícia de hoje sobre uma grande retração na exportação de vinho Madeira para os EUA prova que a Madeira não sobrevive sem o exterior. Os EUA eram o mercado que melhor pagava pelo nosso vinho (preços médios de 16,22€/litro contra os 6,86€ da média global).

Quando Donald Trump impôs a tarifa de 15% em setembro de 2025, ele não atingiu apenas "os burocratas de Bruxelas" ou o "comércio mundial", ele atingiu diretamente o viticultor de Câmara de Lobos ou de São Vicente.

A proliferação de campos de golfe é para homenagear o Donald Trump? É o hábito de cavar buracos?

No 1.º trimestre de 2026, os EUA receberam apenas 24.435 litros de Vinho Madeira. É a quantidade mais baixa desde 2010. Em termos de valor, passámos de um peso de 16% no total das exportações para meros 8,7%. O facto do preço por litro ter subido nem compensa, de forma alguma, a queda de 24,5% na quantidade. O consumidor americano, perante o aumento de preço, simplesmente escolheu outro produto ou deixou de comprar.

O setor do Vinho Madeira enfrenta agora uma erosão estrutural. O perigo não é apenas vender menos hoje, é o risco dos consumidores americanos perderem o "hábito" do Vinho Madeira e mudarem para vinhos de produção local ou de outros países sem tarifas. Recuperar um cliente fiel é muito mais difícil do que mantê-lo.

Eu não consigo conceber o que fazem nos passeios aos EUA com o dinheiro público. Festas, esquemas? E contactos para evitar isto? Este cenário serve de aviso à navegação a miséria espalha-se rapidamente por toda a cadeia, do produtor ao exportador, chegando à receita fiscal da própria Região Autónoma.

Não soubemos proteger o vime, o bordado vai a caminho e segue-se o vinho, ameaçado na terra por falta de arável por plena cobiça da construção. O Governo Regional construiu um modelo que privilegia amigos que com os seus negócios matam a identidade madeirense.

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