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| O homem do Golf. |
N
Desde cedo, ficou evidente que nunca aceitou verdadeiramente o papel de “número dois”. A sombra de Alberto João Jardim não foi apenas longa, foi insuportável para quem sempre pareceu medir o próprio valor pela proximidade ao poder absoluto. Essa frustração mal resolvida acabou por moldar uma postura ressentida, onde o orgulho ferido fala mais alto do que qualquer sentido estratégico. No fundo, ficou a imagem de alguém substituível, mas que nunca se conformou com isso.
Depois há a questão do palco, ou melhor, da sua inexplicável manutenção. Hoje, a sua influência é praticamente residual, o discurso está desalinhado com a realidade, e as intervenções públicas, como a do último congresso do PSD Madeira, soam a ecos vazios. Falta coerência, faltam soluções, falta substância. E há aqui uma ironia difícil de ignorar: muito do que critica nos outros é precisamente o que agora faz e, em vários casos, de forma ainda mais evidente. A distância entre o que diz e o que representa nunca foi tão grande.
O problema maior é que isto já não é apenas uma questão individual. É o retrato de uma geração política que se recusa a sair de cena, como se o poder fosse um direito adquirido e eterno. Não é. Nunca foi. E essa resistência em abrir espaço a novos rostos, novas ideias e uma nova visão está a sufocar qualquer possibilidade de renovação séria dentro do partido. A Madeira não precisa de figuras gastas a repetir fórmulas falhadas. Precisa de energia, clareza e ligação à realidade atual.
E depois há momentos que roçam o absurdo. A explicação apresentada para resolver o problema da mobilidade e das passagens aéreas foi um desses casos. Confusa, inconsequente, praticamente indecifrável, ao ponto de nem Eduardo Jesus aparentar perceber o que ali foi dito. Falar em fixação de preços e, ao mesmo tempo, reconhecer que isso é impossível não é uma proposta, é um vazio embrulhado em palavras. Uma “solução” que não resolve nada. Um exercício retórico sem qualquer utilidade prática.
No fim, sobra pouco mais do que isso: ruído, contradição e uma presença que já não acrescenta valor. A política exige lucidez para perceber quando o tempo passou e, sobretudo, coragem para sair. Permanecer por inércia não é serviço público. É apenas prolongar o inevitável. Adeus Miguel de Sousa!
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