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A sintonizar estações...

Não há vergonha! Somos todos patos!

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As investigações e acusações são teorias das conspiração?
Se calhar já deve ser chamado a depor por obstaculizar a Justiça.

C

omo esperando, aí está a verdadeira função do Gabinete Autónomo da Transparência, em vez de começar a averiguar a corrupção, vem meter mais narrativas de branqueamento (assim acaba a corrupção de facto), que trupe, comunicação social, Igreja, ALRAM, Comissões de Inquérito, Gabinete Autónomo da Transparência... mais Autonomia de facto... para isto!

A entrevista de Alexandre Carvalho da Silva ao JM-Madeira é o exemplo perfeito do que chamamos de "fiscalização de fachada". Quando o coordenador de um órgão que deveria ser o "cão de guarda" contra a corrupção começa por dizer que "não aplica sanções, multas ou contraordenações", ele está a emitir uma licença de impunidade com papel timbrado.

A ideia de que o gabinete deve focar-se na "pedagogia" junto dos jovens e das escolas para combater "teorias da conspiração" é um insulto à inteligência do madeirense. Já lá vão muitos políticos mentalizar os novos escravos.

Enquanto Alexandre Carvalho da Silva quer dar aulas de civismo, as autoridades judiciais (as idóneas) reforçam quadros para investigar crimes concretos que já estão sob o escrutínio público.

Um órgão de transparência não serve para gerir a "perceção" da corrupção ou limpar a imagem do poder, serve para expor e travar o uso indevido de dinheiros públicos. Ao focar-se na pedagogia, ele está a tentar tratar um cancro com um penso rápido e uma canção de embalar.

Alexandre Carvalho da Silva, quer apostar que se vai envergonhar brevemente?

Hospedar o Gabinete Autónomo da Transparência dentro da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM) é, por si só, um conflito de interesses espacial, a paredes meias com a origem do problema, debaixo da asa. Como pode um órgão ser independente se o seu orçamento, a sua logística e a sua nomeação dependem diretamente da casa política que ele deveria fiscalizar Chamar-lhe "Autónomo" é um exercício de semântica criativa. É o poder a criar um espelho onde só vê o que quer.

A sua análise sobre o risco de perseguição é pertinente. Quando Alexandre Carvalho da Silva afirma que "não é uma polícia" e que as suspeitas serão "encaminhadas", cria-se um filtro cinzento, o risco de perseguição é pertinente a quem denunciar. É para isso que criaram o órgão.

Numa região pequena, onde os interesses se cruzam à mesa do café, um gabinete que "aconselha" em vez de "punir" acaba por funcionar como um sistema de alerta antecipado para quem está a ser denunciado. O denunciante fica exposto, enquanto a estrutura de poder tem tempo de se reorganizar ou de "maquilhar" o processo antes que chegue a instâncias realmente independentes.

Tentar colar o rótulo de "teoria da conspiração" ao descontentamento popular e às investigações em curso é uma técnica clássica de gaslighting (manipulação psicológica).

Se há investigações, buscas e arguidos, há factos, não teorias.

Um coordenador de transparência que ignora o peso das evidências para focar na "educação das massas" não é um fiscal, é um relações-públicas de luxo pago pelos contribuintes.

Autoridades idóneas (DCIAP, PJ, Ministério Público) são os únicos caminhos reais. Este gabinete parece ser apenas mais uma cadeira confortável no edifício da ALRAM para garantir que tudo mude para que tudo fique na mesma.

Estas jogadas só acontecem porque o madeirense não se dá o respeito e passa por um básico, um pato.

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