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O Chega derrotou a comunicação social.

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A capitulação do quarto poder.
Como o Chega domesticou a Comunicação Social.

O

 fenómeno da ascensão do Chega não é apenas uma vitória eleitoral, é, acima de tudo, uma derrota humilhante para a comunicação social tradicional. O partido, que nasceu envolto em conflitos, figuras de conduta duvidosa e sombras sobre o seu financiamento, conseguiu o impensável, obrigar os seus maiores detratores a tornarem-se os seus maiores promotores.

Numa primeira fase, a estratégia dos media foi o ataque frontal. Tentaram denegrir, expor os podres e isolar o partido. O resultado? O tiro saiu pela culatra. Alimentado pela indignação e pela revolta de quem se sente esquecido pelo sistema, o Chega cresceu na hostilidade, transformando o "cerco sanitário" em combustível para votos.

Mas o momento da capitulação total veio depois. A comunicação social, sedenta de audiências num mercado em crise, percebeu que o Chega "vende". Percebeu que o nome de André Ventura gera pageviews tal como dá votos, gera comentários furiosos e, consequentemente, gera receitas publicitárias. O processo inverteu-se, a mesma comunicação social que o diabolizavam passaram a dar-lhe o palco principal, não por convicção, mas por necessidade comercial. O "monstro" tornou-se o maior fornecedor de cliques do jornalismo nacional.

Enquanto o Chega derrotava o sistema pelo domínio absoluto das redes sociais, falando diretamente para as pessoas sem filtros nem intermediários, o resto da oposição ficou presa num pântano. PSD, PS e os restantes partidos morrem lentamente às mãos de jornalistas que já não se limitam a dar a notícia, mas que insistem em fazer o comentário, em moldar a opinião e em ditar o que é "aceitável".

A Madeira sui generis, é o patinho feio do assunto. O PSD regional faz o que quer e entende e a oposição, nem o próprio Chega, se copia a receita, entregam-se à gestão do PSD-M, imagine-se! Se o André Ventura estivesse aqui adoraria mostrar como se faz, até aos seus.

Nesta guerra de narrativas, o Chega percebeu as regras do novo mundo, quem controla o algoritmo, controla o debate. Enquanto os jornalistas "tendenciosos" se entretêm a tentar educar o povo com análises condescendentes, o Chega fura a bolha e enfiasse na frente da notoriedade.

A comunicação social na Madeira e no Continente criou um monstro de cliques e agora não sabe como o parar. Ao tentarem ser os juízes da moralidade política, os jornalistas acabaram por alienar o público, que correu para as redes sociais onde a "verdade" é dita sem o verniz do regime. Quem já não distinguem verdade e mentira nas redes sociais? E porque ignoram a comunicação social a soldo?

O Chega não mudou, continua o partido não confiável, quem mudou foi a comunicação social, que passou de carrasco a dependente, provando que, no fim do dia, o lucro do anúncio vale mais do que a isenção da notícia. A oposição que sobra que se cuide, enquanto esperam pela "boa vontade" dos jornalistas de serviço, o país vai sendo decidido no feed do Facebook.

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