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A sintonizar estações...

Quando é que a polícia se põe nas rotundas a multar estrangeiros?

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B

asta sair à rua para encontrar, de certeza, um estrangeiro a conduzir na faixa exterior das rotundas, passando uma e outra saída, até finalmente abandonar a façanha. Há deles que fazem voltas à rotunda até perceber onde devem sair pelo GPS. Fantástico.

Não é cedo nem é tarde, decidi ir pesquisar o porquê destas aves raras fazerem isto permanentemente. Será diferente nos países deles. E não é que me caiu o queixo!

Essa é uma frustração clássica de quem conduz em zonas turísticas como a Madeira. O "conflito de rotundas" tem razão para eu suspeitar, a confusão dos turistas não é apenas distração, mas muitas vezes fruto de regras de trânsito diferentes nos seus países de origem.

Já digo a conclusão, ou uniformizam isto ou as rent-a-car devem avisar por lei de questões básicas da condução em Portugal!

Espanha é, provavelmente, a maior fonte de confusão. Segundo a DGT (Dirección General de Tráfico), a regra em Espanha é que a rotunda funciona como uma estrada reta. Bem dizem que de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos. Prioridade da faixa de fora! Quem circula na faixa de fora tem sempre prioridade sobre quem está por dentro. É proibido sair diretamente da faixa de dentro para a saída. O condutor deve circular pela faixa exterior para sair, e se não conseguir mudar para fora a tempo, deve dar outra volta à rotunda. Então são espanhóis ... 

No Reino Unido e na Irlanda, embora conduzam pela esquerda, a regra britânica (Highway Code) é ligeiramente diferente da nossa. Para saídas à esquerda ou em frente (até às 12h no "relógio" da rotunda), deve-se usar a faixa da esquerda (a de fora). Por cautela em estradas desconhecidas, tendem a manter-se na faixa exterior para evitar "ficar presos" no interior, especialmente se a sinalização vertical não for clara para eles. Temos mesmo que dar em loucos aqui...

Em França e Alemanha, a regra é mais próxima da portuguesa no que toca à escolha da faixa (interior para a esquerda, exterior para a direita), vá lá, já pensava que eramos os anormais e não sabíamos. No entanto, há uma diferença de mentalidade jurídica. Em caso de colisão, se não houver marcas no chão que proíbam a circulação, a responsabilidade é muitas vezes atribuída a quem muda de faixa. Pois... a tal lógica, se tu estás por dentro e bates num carro que está por fora (mesmo que ele esteja a circular indevidamente), legalmente foste tu que intercetas a trajetória da outra faixa.

Então porque nos ensinam de uma maneira se isso vai contra nós?

Em Portugal, o Código da Estrada (Artigo 14.º-A) é claro, quem quer sair na primeira ou segunda saída deve ir por fora; para as restantes, deve ir por dentro. O problema é que as seguradoras aplicam frequentemente a tabela de responsabilidades baseada no cruzamento de trajetórias. O teu erro é mudar de faixa (da esquerda para a direita) sem garantir que a via está livre. Mas então não é suposto toda a gente cumprir a mesma regra? Afinal quem faz as regras são as seguradoras?!?!?! O erro do turista é uma mera circulação indevida na rotunda (infração de posicionamento). Então como não ficamos revoltados?! Como ambos cometeram infrações ao Código da Estrada no momento do embate, as seguradoras "lavam as mãos" com a responsabilidade repartida. E como elas gostam disto!

No meio desta trapalhada toda, um caso dá nas vistas, é o caso especial da Islândia, a regra é o oposto absoluto dos caramelos anteriores! Xiça! Quero turistas islandeses! Na Islândia, quem está na faixa de dentro tem prioridade sobre quem está na de fora. Se um turista islandês conduzir na Madeira, ele vai assumir que tu, ao saíres por dentro, tens o direito de passagem!

O problema na Madeira é uma mistura de regras do turismo de massas. Se tivéssemos ficado com aquele turismo com "massas", iam em tour, era bom para todos!

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