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Região Autónoma da Madeira conseguiu transformar uma necessidade básica — sair e entrar na ilha, num doutoramento em resiliência financeira. Não é para todos. É para os fortes. Ou para os que têm plafond.
Entretanto, no plano estratégico, tudo parece estar a ser tratado ao mais alto nível… à mesa. O secretário responsável, numa demonstração admirável de compromisso institucional, dedica largas horas a reuniões com empresas privadas de aviação, muitas delas, curiosamente, à hora de almoço. Networking gastronómico, chamemos-lhe assim. Porque nada diz “política pública eficiente” como um bom couvert seguido de uma conversa sobre tarifas.
E é aqui que a coisa ganha uma certa beleza conceptual, de um lado, cidadãos a fazer contas para conseguir viajar; do outro, decisores a fazer contactos para garantir… que continuamos todos a fazer contas. Um ecossistema equilibrado, diria.
E há uma pergunta que nunca aparece nas conferências nem nos almoços estratégicos: quando os decisores viajam, quem é que trata do processo do subsídio de mobilidade? Também ficam à espera meses? Também adiantam do próprio bolso? Ou existe uma versão premium do sistema, sem filas, sem formulários e, sobretudo, sem paciência para perder?
É curioso como, num sistema onde o cidadão comum precisa quase de um manual de sobrevivência para ser reembolsado, a fluidez institucional parece funcionar muito melhor noutros níveis. Chamemos-lhe eficiência seletiva.
Será uma secretaria oculta que recebeu um apartamento no Dubai e, antes ia aos CTT, e agora fica na plataforma, horas e horas, só a meter os papéis do bardamerda e do pobre que depois de vir para o governo ficou rico? Sabem como se chama este ultimo, não sabem?
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