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Turismo da Madeira: as "aves agoirentas" vão ter total razão?

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stá em voga o prazer de fazer errado porque apetece a alguns para não dar razão a ninguém. fazem-nos com muita fé. Só que a fé domina uma guerra, no Irão e agora os EUA também estão numa guerra santa, lá com os seus religiosos a ver em Trump um messias. Impressionante o retrocesso civilizacional dos EUA. Mas não se riam, que pela Madeira também há muita fé tola em muitas situações, e lá está a Igreja a participar.

Quando alguém fala com conhecimento e propriedade há uma multidão ignorante a mandar bocas ou a seguir o líder. Enquanto os factos alicerçarem a fé dá certo, mas chegamos a um ponto nevrálgico da economia globalizada, a extrema vulnerabilidade de sistemas que dependem de cadeias de suprimento "just-in-time" e de energia barata. Se o Estreito de Ormuz (saída do Golfo Pérsico) e o Estreito de Bab el-Mandeb (entrada do Mar Vermelho) forem bloqueados simultaneamente, o choque não será apenas energético, mas estrutural. 

Com o Canal de Suez inacessível, os navios são obrigados a contornar o Cabo da Boa Esperança. Isso acrescenta cerca de 10 a 15 dias de navegação e milhares de milhas náuticas à rota entre a Ásia e a Europa. Provoca a inflação de custos. O consumo de combustível dispara, assim como os seguros marítimos. Os produtos encarecem na produção e no transporte. Portanto, contem com a quebra de stocks. Não se trata apenas de combustível, mas de bens de consumo, peças e alimentos importados (essenciais para o setor hoteleiro por exemplo) que se tornam escassos e proibitivos, a valores que o consumidor deixa de comprar.

Nesta situação estão as viagens de lazer. O atalho do mau sucesso de Eduardo Jesus morre, as "Low-Cost" com a carestia do querosene. O turismo de massas sobrevive graças às margens estreitas das companhias aéreas, o mercado que Eduardo Jesus escolheu para a transformação negativa da Madeira, a insustentabilidade.

O combustível de aviação (JET A-1) representa, em média, 20% a 30% dos custos operacionais de uma companhia. Num cenário de bloqueio no Golfo, este valor pode duplicar.

Não se esqueçam de que as viagens de lazer são um supérfluo, havendo racionamento de combustível será imediatamente uma indústria atingida. Em caso de guerra, os Estados priorizam o combustível para defesa e serviços essenciais. 

A pandemia foi um ensaio geral que mostrou o que acontece quando o motor único de uma economia pára. Os mais perspicazes e estudiosos fartaram-se de avisar, e o Governo e seus seguidores obcecados por lucro fácil foram atrás. Foi, é uma miopia estratégica. Rezem com a mesma fé para não experimentarmos o que se perspectiva.

Ao não investirem em agricultura de subsistência, indústria tecnológica ou serviços exportáveis digitais, de forma séria e não para consumir PRR, as regiões de monocultura ficam sem "almofada". A Madeira é claramente uma e veremos estes governantes de pacotilha e propaganda como resolvem.

O capital continuou a ser canalizado para hotéis e alojamento local, em vez de infraestruturas que garantissem soberania alimentar ou energética. Todo o terreno agricultável foi cobiçado e ameaçado, pela armadilha do imobiliário e do golfe.

Mas o erro não termina aqui, quando a "galinha dos ovos de ouro" deixa de pôr, o efeito dominó é imediato, começa o desemprego em massa depois do turismo de massa (sem massas). Num sistema de monocultura, se os hotéis fecham, o comércio, o transporte e a restauração colapsam em dias. Sem Low-Costs acaba a festa. Como se fosse possível ainda mais, a carestia de vida fará com que a população local não consiga sustentar o nível de hospitalidade exigido, gerando tensões sociais. Começarão a pensar em si.

A ruína ocorre quando o modelo de negócio se torna matematicamente inviável. Se viajar se tornar um luxo acessível apenas ao 1% mais rico, devido ao custo do carbono e do combustível, os destinos desenhados para o turismo de massas tornam-se cidades-fantasma de betão. O Eduardo Jesus é um parvalhão, não há outra maneira de dizer, arruinou o turismo que importa e tínhamos para se meter no turismo de massas.

A história avisa, mas a ganância do lucro imediato muitas vezes sobrepõe-se à prudência estratégica. A diversificação não é apenas uma escolha económica, é um kit de sobrevivência.

Finalizo, dizendo que aqueles que dão valor ao entretenimento, em vez de se agarrar à informação que importa, de que podem estar para adormecer em pesadelo.

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