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A "salamização" da Festa da Flor é um erro.

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Dividir um cortejo maior e mais impactante em dois mais pequenos é, para mim, um erro no já de si noutro erro, o de esticar a festa da flor sem intensidade e flores.

A

 Festa da Flor, outrora o expoente máximo da identidade e da estética madeirense, atravessa um momento crítico de identidade. A estratégia política e comercial dos últimos anos, vincada pela governação de Miguel Albuquerque, optou por transformar um evento de "pico" numa maratona de um mês. No entanto, ao esticarmos a cronologia sem garantir a matéria-prima, a substância floral, corremos o risco de transformar o prestígio em banalidade.

O erro fundamental reside na matemática da festa. Não há produção floral na Madeira com a intensidade necessária para sustentar o brilho de um cartaz durante 30 dias. Ao alargar o calendário para satisfazer meras métricas de ocupação hoteleira e fluxos comerciais, dilui-se o impacto. O que antes era uma explosão concentrada de cor e perfume, hoje assemelha-se a um cenário que se desgasta a olhos vistos, perdendo a corrida para festas religiosas do continente e Açores e para eventos internacionais que apostam na densidade em vez da duração. Sem falar de países dos quais importamos flores para a nossa Festa da Flor.

Como se não bastasse a diluição temporal, surge agora uma nova decisão estratégica que levanta sérias dúvidas, a divisão do cortejo principal.

O Grande Cortejo Alegórico era, por definição, o momento em que a falta de flores nas ruas durante a semana era perdoada. Era o "clímax" que disfarçava as carências estruturais do evento através de uma mancha humana e floral de grande escala. Ao dividir um desfile impactante em dois momentos mais pequenos e menos densos, a organização retira a força visual. O impacto de um cortejo reside na sua continuidade e magnitude. Mas a decisão também acentua a sensação de "pouco". Dois momentos médios não substituem um momento extraordinário.

A festa perde o seu ponto de equilíbrio, deixando o visitante e o residente com a sensação de que o espetáculo foi "fatiado" para preencher calendário, em vez de ser servido na sua plenitude.

A Festa da Flor não pode ser tratada apenas como um produto de prateleira que se estica conforme a procura turística. Sem a intensidade da flor e sem a grandiosidade concentrada do seu cortejo, o evento arrisca tornar-se uma "festa de cartaz" sem alma. É urgente repensar se queremos uma Madeira que impressiona pela qualidade ou uma Madeira que apenas "preenche os dias" de quem nos visita, sacrificando a essência em prol do comércio.

A beleza, tal como a flor, tem o seu tempo de vida. Tentar forçar a sua perenidade através de decretos e divisões de cortejos é o caminho mais rápido para a irrelevância.

Precisamos de um outro secretário do turismo e ambiente que sinceramente trabalhe para resolver tantos problemas que se estão a acumular. É típico este tipo de bebés caírem nas mãos de outros que apanham com as culpas, porque este secretário está a consumir o tempo todo, vital para MUDAR.

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