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Será que na Madeira a maioria assimila o que pode fazer se mudar o seu voto em vez de legitimar as barbaridades que acontecem na Madeira. De hoje a um mês, comemoramos a data da assinatura do tratado de adesão, 12 de junho de 1985. Aderimos a 1 de janeiro de de 1986, 40 anos, a população acha normal a desigualdade social e económica, o atual esquecimento dos madeirenses e completa aposta em estrangeiros no Governo de todos os madeirenses?
A maior força duma democracia não reside nos corredores do parlamento, mas na mão de quem vota. O exemplo de Orban serve como um lembrete de que regimes que se julgam inabaláveis, sustentados pela manipulação das instituições e pelo controlo da narrativa, só mantêm a sua estrutura enquanto o eleitorado aceita o papel de espectador passivo. Quando o voto é usado como ferramenta de ruptura, o "gigante" político, antes omnipresente, descobre que a lealdade dos seus pares era meramente situacional, transformando-se rapidamente numa figura irrelevante na história que tentou escrever sozinho.
No contexto da Madeira, a passividade perante as barbaridades e a gritante desigualdade social sugere uma espécie de anestesia coletiva, onde o assistencialismo e a dependência do sistema parecem sobrepor-se à necessidade de mudança. A ironia de comemorar os 40 anos da integração europeia, no próximo dia 12 de junho, reside no facto de a região ter recebido fundos colossais destinados à coesão, mas continuar a exibir um fosso abissal entre quem detém o capital e quem luta pela sobrevivência diária. É um sistema que, sob o manto da autonomia, parece ter criado uma nova forma de exclusão, onde o cidadão local se sente um estrangeiro na sua própria terra.
A atual aposta desmesurada no investimento estrangeiro e no imobiliário de luxo, muitas vezes em detrimento da habitação e da dignidade dos residentes, levanta questões éticas sobre a quem serve realmente o Governo Regional. Se o eleitor madeirense não assimilar que o seu voto é o único mecanismo capaz de travar esta trajetória de esquecimento dos locais, corre-se o risco de transformar a ilha num mero resort de luxo privado, onde a população serve apenas de moldura para o lucro de terceiros. A democracia permite o milagre da renovação, mas exige, primeiro, que o povo recuse a legitimação do próprio declínio.
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