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Desafio o "Desemprego" a falar da degradação da dignidade do trabalho

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O

s enfermeiros com especialização recebem o mesmo salário dos generalistas. Esta estagnação salarial é o epicentro de uma reação em cadeia de problemas que, finalmente, alguém na comunicação social pega. Mas não se fiquem por aqui, é preciso atingir muitos empresários protegidos desta terra. Por tanto, profissionais que investiram em formação avançada (ex: saúde materna, pediatria, cuidados continuados) não veem esse esforço refletido na carreira ou na remuneração.

Há uma carência de 500 profissionais para colmatar as falhas atuais, com especial incidência em áreas sensíveis como no Curral das Freiras e Porto Santo. O humor negro é que cobrir estas falhas parecem as listas de espera, "avanço no retrocesso". A razão é o facto de saírem jovens formados, mas também em sentido contrário, os "Jovens cansados abandonam profissão", por desgaste e burnout. A exaustão não é apenas física, mas psicológica, resultante de turnos rotativos que impedem a conciliação com a vida familiar. Estamos cada vez mais escravizados a tudo, trabalhamos para o nosso empregador, mas também pelo banco, supermercado, bomba de gasolina, etc.

A história é sempre a mesma, não valorizam os profissionais, alguns conseguem ficar na Privada, mas a maioria quer emigrar.

Gostei de ouvir o Juan Carvalho, do Sindicato dos Enfermeiros (SEAM), com a coragem de dizer que se atingiu um ponto de rotura. O SESARAM não abre concursos para a categoria de especialista há anos, o que congela a progressão na carreira, com esta frustração conduzem muitos à fuga de talentos. Quando um profissional qualificado percebe que o seu nível de responsabilidade aumenta, mas o seu vencimento permanece estático e as suas condições de descanso são inexistentes, a saída torna-se a única opção lógica.

Temos aqui de novo p "pandemónio" laboral na Madeira, marcado por ordenados que não acompanham o custo de vida crescente na ilha e por um ambiente de pressão constante, o que transforma a profissão numa missão de sacrifício que poucos jovens estão dispostos a aceitar a longo prazo. O Madeira Opina anda sempre a reportar isto em publicações, mas alguém acorda? Não creio, porque os nossos governantes pensam em si, não nos madeirenses.

Reparem neste pormenor, o desemprego é baixo nesta área porque a necessidade de mão de obra é absoluta. No entanto, o baixo desemprego mascara a má qualidade do emprego. Muitos enfermeiros que abandonam o SESARAM não se inscrevem nos centros de emprego da Madeira, eles emigram diretamente ou mudam de setor. Para a estatística, estas pessoas simplesmente "saem da população ativa" ou deixam de contar para o desemprego local, dando uma falsa sensação de estabilidade.

Outra, profissionais que trabalham em regime de recibos verdes ou contratos precários não são contabilizados como desempregados, embora vivam em insegurança financeira.

O "sucesso" estatístico de ter poucos enfermeiros no desemprego esconde a tragédia de ter um sistema de saúde sustentado por profissionais desmotivados, exaustos e prontos a partir à primeira oportunidade.

Esta situação tem anos!

  • https://healthnews.pt/2021/07/07/governo-da-madeira-diz-que-desemprego-de-enfermeiros-e-inexistente-na-regiao/

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