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Aeroporto: o sangue que escreveu os limites, o aviso que veio da Noruega.

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Olá a todos, tenho pena de não ter meios de vos enviar um vídeo, apesar dos Direitos e Autor porque é de elementar importância para os madeirenses verem uma experiência de teimosia que deu acidente, muito parecido com o que se passa no nosso aeroporto. Deixo canal, data e hora para verem, durante uma semana vão conseguir:
  • Canal: National Geographic
  • Data/Hora da emissão: 4-5-2026 às 00:00 horas
  • Série: MAYDAY!
  • Identificação do programa: Temporada (T) 25/ Episódio (E) 8
  • Título: Pesadelo na Noruega


A

 pressão política para alterar os limites de vento no Aeroporto da Madeira não é um fenómeno novo no mundo da aviação, mas a história ensina-nos que a física não se curva perante decretos ou interesses económicos. O recente episódio de "Mayday, Desastres Aéreos" (Temporada 25, Episódio 8), intitulado "Pesadelo na Noruega", traz um alerta arrepiante que todos os madeirenses, e decisores, deveriam ver e ouvir. A resistência dos decisores, os que põem a assinatura, está fundamentada em mais do que um caso, felizmente, um está disponível para ver.

O caso de Værøy. Quando a conveniência mata.

O episódio detalha o trágico acidente do voo Widerøe 839 na ilha de Værøy (Noruega), em 1990. Tal como na Madeira, o aeroporto local era vital para a economia e sofria com cancelamentos constantes devido a ventos extremos e correntes descendentes (downdrafts).

A investigação revelou que o avião se desintegrou literalmente no ar pouco após a descolagem. O motivo? A aeronave foi apanhada por uma turbulência que excedeu os limites estruturais do aparelho. As montanhas em redor da pista criavam um "efeito de rotor", ventos que giram e empurram o avião para baixo com uma força impossível de contrariar.

A parte mais sombria desta história é a conclusão dos investigadores. Os limites de segurança tinham sido "flexibilizados" para reduzir o isolamento da ilha e os custos dos cancelamentos. O poder político e a operadora queriam viabilizar o aeroporto a todo o custo. O resultado foi a perda de vidas e o encerramento definitivo do aeroporto para voos comerciais logo após o desastre.

O documentário faz uma ponte direta com o nosso Voo TAP 425 de 1977. Na altura, as limitações da pista e as condições meteorológicas adversas levaram à tragédia que todos conhecemos. É vital recordar que os limites de vento que hoje temos foram escritos com sangue. Eles não são obstáculos burocráticos ao turismo. O curioso para mim é que tanto dizem que turbulência é desconforto mas não perigoso que acabo por ver que nas descolagens e aterragens é...

Incentivo fortemente que vejam o episódio, o episódio ensina que a geografia é soberana. Temos uma igual ao do episódio. Podemos aumentar a pista, mas não podemos remover as montanhas que geram a turbulência e as correntes descendentes.

Também vemos a controvérsia, a pressão política vs. segurança. Sempre que a conveniência de evitar cancelamentos se sobrepõe ao rigor técnico, o risco de catástrofe aumenta exponencialmente.

A Madeira não é um laboratório, não é única como sempre quer ser. Não podemos permitir que o nosso aeroporto seja palco de experiências políticas para testar "novos limites" quando a história da aviação já provou, em locais como Værøy, que o resultado é a destruição. Mudar as regras porque há "muitos cancelamentos" é o primeiro passo para o próximo desastre. A segurança dos passageiros e das tripulações vale mais do que qualquer estatística hoteleira.

Lamentavelmente a Madeira está possuída pela ganância de uns quantos que instruí um secretário fraco sobre como deve proceder.

Vejam por favor o episódio.

Obrigado.


Adicional:
  • https://www.youtube.com/watch?v=XeUHn6XdJbs
  • https://youtu.be/km4WPTUI_O4?si=IyBxosfJV98Csv37

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