A
- https://madeira.rtp.pt/religiao/se-do-funchal-acolhe-ciclo-de-conferencias-video/
- https://madeira.rtp.pt/desporto/georgina-rodriguez-faz-homenagem-a-nossa-senhora-de-fatima/
Como Sé do Funchal vai acolher um ciclo de conferências, teriam casa cheia com esta nossa senhora com o big brother presente. A piada é que as conferências são contributo para a paz e conversão aos valores verdadeiramente humanos. Creio que a Igreja precisa dele própria refletir sobre si em vez do transcendente das escrituras e do abstracto de todos os humanos.
Vamos lá ver uma coisa, estamos a vulgarizar a fé e com ela vem o desrespeito e os aproveitamentos. A questão da moda no contexto religioso, como a homenagem de Georgina Rodríguez a Nossa Senhora de Fátima, toca em pontos sensíveis onde o sagrado e o profano se cruzam, gerando frequentemente uma sensação de "aproveitamento" ou falta de decoro. Eu não consigo ser mais ponderado, mas vamos a isto... vamos as principais contradições entre a fé tradicional e este tipo de abordagem estética.
A mensagem de Fátima, na sua essência, é um apelo à oração, ao sacrifício e à humildade. Em contraste, a moda de alta-costura ou o uso de símbolos religiosos em contextos de passadeira vermelha ou redes sociais foca-se na ostentação e no luxo. A contradição surge quando o símbolo de uma "Virgem Pobre" é utilizado para elevar o estatuto de marca ou o brilho pessoal de uma figura pública. Isto não é mais do que a Humildade vs. Ostentação. Aquele evento era de ricos que querem parecer pobrezinhos?
Para um crente, a imagem de Nossa Senhora é um objeto de veneração e fé. Quando essa imagem é "estampada" num vestido ou acessório de luxo, ela corre o risco de ser reduzida a um mero acessório estético ou tendência de moda. Esta "mercantilização do divino" é o que muitos interpretam como um aproveitamento "rasca" (desculpem, é sem dúvida a palavra dos nossos tempos), pois retira o conteúdo espiritual para deixar apenas a forma visual. Aqui nos situamos no Sagrado vs. Objeto de Consumo. Estas proezas do jet7 são para consumo e quem?
Mas há mais!
A fé é, por definição, uma experiência de interioridade. O mundo das celebridades e das influenciadoras vive do espetáculo e da visibilidade. Utilizar uma homenagem religiosa como conteúdo de entretenimento para gerar cliques e visualizações pode ser visto como uma forma de "selfie-espiritualidade", um "virgem instagramável", onde o foco não é a divindade, mas sim a pessoa que presta a homenagem. Não é mais do que também vivemos na Madeira, a Interioridade vs. Espetáculo, quando as festas do adro são a razão da ida à Igreja. Sobretudo para partos de algumas virgens.
Desculpem lá, sem ofensa, esta diverte-me...
Curiosamente, a notícia surge na secção de "Desporto" (provavelmente pela ligação a Cristiano Ronaldo), o que sublinha ainda mais a descontextualização. Quando a religião entra no ciclo de notícias do lifestyle e do desporto, torna-se apenas mais uma peça na engrenagem do marketing pessoal. E é aqui que a Igreja deve estar atenta e não ser tão acessível ao abuso, a Religião já estava na etiqueta Política, agora passa ao Contexto do Desporto e das Marcas? É mais um vinho de altar com rótulo?
Embora se possa argumentar que cada um expressa a sua fé como quer, a crítica de que se trata de um aproveitamento estético tem fundamento na desproporção entre a simplicidade da mensagem religiosa e a complexidade do marketing de luxo. Para muitos, a fé deve ser um ato de entrega, não um desfile de moda.
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