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fila indiana em percursos na natureza é a antítese de usufruir, desfrutar para a introspeção e recarregar baterias mentais. Pelo contrário, a Madeira oferece um bicha como a do metro em hora de ponta em muitos lugares, origem dos turistas. Ninguém contempla em fila indiana com tantos pela frente e ainda mais atrás loucos para ter outro andamento.
Isto também é insegurança, apesar de terem aberto um trilho após muito tempo de arranjos, a própria quantidade de pessoas é um risco, para prestar socorro e porque não há escapatória com os dois sentidos entalados, se ocorrer algo, como uma quebrada. Eduardo Jesus trouxe o absurdo e espero que desapareça do cargo o quanto antes. Quanto mais tempo ficar, mais o mau nome da Madeira perdurará, porque os prémios não vão conseguir vencer a má experiência no passa palavra que já está a ocorrer.
Isto é o que ninguém queria, excetuando-se os lunáticos do lucro, que farão prevalecer a sua vontade, não querendo saber dos direitos dos madeirenses e da boa gestão da serra.
O que se vê na imagem ilustra, de forma tão crua, a industrialização do que deveria ser sagrado, o silêncio e a imensidão da montanha. Quando a natureza é reduzida a uma bicha de metro, o valor da experiência desce a zero, apesar da bela paisagem.
A montanha atrai as pessoas pela promessa de fuga ao caos urbano. Ao impor uma fila indiana, destrói-se o benefício mental da caminhada, significa que a Madeira falha no propósito da introspeção e do "wellness". Em vez de olhar para o horizonte, o caminhante é obrigado a olhar para os calcanhares de quem vai à frente e sente a pressão de quem vem atrás. Numa fila de centenas de pessoas, senão milhares, o som do vento e das aves é substituído pelo ruído de conversas, telemóveis e passos constantes. É o fim da "bateria mental" recarregada.
Quero repetir isto, apesar de uma vez ter havido várias mortes na montanha e ninguém ter sido responsabilizado, a densidade de pessoas num trilho estreito de montanha é um pesadelo logístico em caso de emergência. O trilho é um fio numa parede vertical. Se ocorrer uma queda de pedras (quebrada) ou se alguém tiver um enfarte no meio da fila, o socorro fica bloqueado por uma massa humana que não tem para onde recuar ou desviar-se, há inexistência de escapatória, haveria a mesma situação com menos pessoas, mas a gestão seria completamente diferente. Há inexistência de escapatória, mais um inexistente "plano de contingência" de Eduardo Jesus, agora para esta situação.
A fadiga de um caminhante menos preparado numa fila destas gera ansiedade e erros nos outros, aumentando a probabilidade de acidentes banais que, ali, se tornam graves. Deixem-me adivinhar, o grande Eduardo Jesus não consultou ninguém?
A imprevisibilidade meteorológica tornou-se a nova norma, onde a influência direta das alterações climáticas e a chegada de um novo fenómeno El Niño baralham as estações, transformando manhãs de sol radiante em tempestades severas num piscar de olhos. Na Madeira, esta instabilidade manifesta-se em microclimas cada vez mais erráticos, desafiando a segurança de quem percorre as serras e exigindo uma adaptação constante às mudanças repentinas de temperatura e pluviosidade. Esta volatilidade extrema não só coloca em risco a integridade dos ecossistemas locais, como também expõe a fragilidade das infraestruturas perante eventos climáticos que ignoram qualquer previsão tradicional. Como sabemos as pessoas nunca estão preparadas, e pode ser uma intempérie ou um incêndio...
Como se vê, planos para a densidade de carros e pessoas não estão a resultar, quase toda a gente adivinhava, só os "publiciteiros" é que queriam vingar a narrativa. Apesar da mercantilização do espaço público, "roubado" aos madeirenses para depois privatizar, cobrar ou dosear não estão a resolver o problema da densidade no sentido único, está apenas a selecionar quem paga. A propósito, é mais um negócio para um amigo? A sensação de exclusividade prometida pelo bilhete é defraudada pela realidade da multidão. Alguém consegue contrariar isto?
Os prémios de "Melhor Destino" valem pouco quando o turista chega a casa e diz aos amigos "não vás, parecia a Disneyland em agosto". Este marketing negativo é impossível de reverter com campanhas oficiais. O "passa palavra" é tóxico, ainda mais do que o Eduardo Jesus para o nosso destino turístico.
A carga humana excessiva num ecossistema frágil como o maciço central acelera a erosão dos trilhos e afugenta a fauna endémica. Proibiram drones, proibiram gado e depois fazem isto? O trilho deixa de ser um caminho natural para ser uma infraestrutura de betão e desgaste. Apostem! comigo e perderão.
A política de "quantidade sobre qualidade" é um erro catastrófico promovido pelo Eduardo Jesus, a atual tutela parece ignorar que o luxo da Madeira não são os hotéis, mas a capacidade de estar sozinho perante a natureza. Sem isso, a ilha perde a sua alma e torna-se apenas mais um parque temático sobrelotado.
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